o eremita laranja

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San Ramon

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Literatura Progressiva: Acquiring the Taste

Adquirindo o gosto de ler o rock progressivo.


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Motivos que vão da tese-antítese do idealismo alemão ao aperfeiçoamento da indústria fonográfica explicam o surgimento e a consolidação do rock progressivo no final dos anos 60 e começo da década de 1970. Um público educado na psicodelia ansioso por novas experiências e sensações diferentes (de The Court of the Crimson King à Bohemian Rhapsody) movimentou a indústria musical desafiando todos os limites estéticos. E o álbum conceitual, a música em sequência em uma longa trama cantada, é o filho do movimento e que hoje ainda é utilizado pelos mais diferentes estilos e artistas.

Não que não existisse conceito em Dust Bowl Ballads de Woody Guthrie, experimentação total em Hendrix, entendimento complexo de música e suas possibilidades em Duke Ellington e Charles Lloyd. Os “progs”, velhos hippies, jovens mentes liberais e progressistas, Sgt Pepper’s, Pet Sounds, reuniram tudo em algo consciente, intencional, uma literatura. E sobre a literatura progressiva eu pretendo falar/escrever/digitar, tomando como primeira entrada a banda que melhor representa o momento (intrinsecamente ligada): Gentle Giant.

Se o Gentle Giant já justifica suas Funny Ways no primeiro LP, é no segundo, Acquinring The Taste, que o gigante gentil busca afirmar sua filosofia/literatura musical em uma declaração que talvez resuma o rock progressivo;

"Adquirir o gosto é a segunda fase do prazer sensorial. Se você se deliciou com o nosso primeiro álbum, então aprecie os sabores mais finos (nós esperamos) deste, nossa segunda oferenda. É nosso objetivo expandir as fronteiras da música popular contemporânea correndo o risco de sermos bem impopulares. Nós gravamos cada composição com um único pensamento - que deveria ser única, aventurosa e fascinante. Nos tomou cada pedaço de nosso conhecimento musical e técnico para atingi-lo. Desde o início nós abandonamos todos os pensamentos pré-concebidos de comercialismo voraz. Ao invés disso, esperamos dar-tes algo bem mais substancial e preenchedor. Tudo que você precisa fazer é sentar e acquinring the taste"

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Pantagruel Nativity canta o escritor François Rabelais, um dos maiores ícones do renascimento literário francês, médico e clérigo rebelde, filósofo considerado precursor do anarquismo e um combatente do dogmatismo religioso. Inovador da escrita e do próprio imaginário popular de sua época (algo que a banda também ambicionava). A natividade de Pantagruel é uma reverência, dedicatória e evocação do diferente.

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Edge of Twilight é uma expressão. Experimentação sobre o transcorrer de uma noite fantasmagórica. Interminável. Imprevista. O clima soturno e de fuga é ressaltado pela música em um jogo de ecos e sussurros, tambores e graves. Nas bordas crepusculares;

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Acquiring the Taste.

Na The House, The Street, The Room o processo criativo, eu lírico em confissões. “My time is spent in chains and confusion in my head”. Ele nos diz; é uma pessoa solitária, afetuosa e convidativa. “I cast my die and leave all my troubles in the room”. Ele convida o ouvinte para a sua privacidade, pois “I don’t tell nobody”. Ele é um compositor de poucos amigos que vive em um quarto solitário em uma rua deserta. Ele convida para;

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Wreck; uma música aos náufragos – da guerra? Do comércio? Desbravadores? – no alto mar àqueles que morreram. Uma elegia. Na instabilidade do mar, bravos e fracos. Foram e vão. Hold on. Paralelo com a noite interminável a imensidão do mar...

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... The Moon is Down, a letra mais poética. São imagens de contrastes e choques, "Angels of Hell" e "Moon" e "Earth" e "red skies" e "gold coloured bird", maravilhas no céu e o cair da lua. "There’s a chaos of visions and voices". Êxtases.

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The Black Cat é a visão de uma gata* de rua, indomável. Um animal? Um ser confiante da noite. Alguém. O tema da noite de Edge of Twilight e o urbano de The house, the street, the room em uma nova e confiante visão para:

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Plain Truth, o fechamento do álbum. "Why do you question when there’s no answer told?" Na música mais otimista e alegre o Gentle Giant oferece a mensagem que percorre todas as músicas anteriores em sensíveis elementos: "take all the living / live life and Let it win". É um convite ao sentido e busca pelas noites da vida e da mente e ruas com todos os perigos e naufrágios que possam ocorrer. É um convite ao risco.


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