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Literatura Progressiva: Lucifer Was

"Bem vindo a um mundo de anjos e demônios, paixões e tristezas..."


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Podemos imaginar o cenário lúgubre do outono dinamarquês dos finais dos anos 60. Beleza fria, distante dos efervescentes centros de agito social rock’n roll que moviam multidões na Inglaterra, Estados Unidos, França. E imaginar garotos que ouviam todo aquele maravilhoso experimentalismo, por aqueles anos selvagens, rebeldes. Pensavam em fazer seus próprios sons cheios de significado e revolta.

Formando uma banda; Lucifer. Lucifer entre outras tantas bandas chamadas Lucifer. Ou melhor: Lucifer Was. 5 anos de atividade em pequenos festivais, a banda acaba entre uma necessidade da vida e outra.

O nome de um dos garotos é Einar Bruu. Bruu passou muito tempo trabalhando com música até “se aposentar” como professor. Uma história comum seja na Dinamarca ou no Brasil ou Inglaterra ou qualquer outro lugar. Agora o incomum: Um belo dia nos anos 90 o senhor professor decide ouvir suas velhas fitas das aventuras da adolescência, descobre em seu “jovem-eu” um músico surpreendentemente bom. Reúnem-se os velhos companheiros, recriam a banda e alcançam sucesso internacional, conseguem gravar seus álbuns e reviver seus virtuosismos, tênues, fugazes, quase perdidos no tempo e da vida; guitarras em grave e sutileza de flautas em letras progressivas, provocativas, trabalho particularíssimo. É o Lucifer Was.

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Underground and Beyond é o primeiro trabalho e ele representa bem o jogo peculiar de clássico hard rock com progressivo típico da banda. Forte presença de Black Sabbath, Coven, Deep Purple. Um pouco de tudo aquilo que tocava na época, diferente, atemporal,próprio, os sons de sentimentos antigos, reencontrados.

In Anadi's Bower e Blues from Hellah os próximos trabalhos. Neles o lado lírico é reforçado, o progressivo, ecos mais tangíveis do Jethro Tull.

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The Divine Tree é o meu favorito. Ápice de tudo que a banda tem de mais particular. Músicas como On Earth e Crosseyed desafiam classificações. Ele é empolgante, lúgubre, antigo, diferente, poético. Ele é pesado, suavemente.

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Em The Crown of Creation e DiesGrows, os trabalhos mais recentes, visões e arranjos mais próximos de Led Zeppelin e Rainbow. Bons álbuns, criativos e em alguns momentos geniais como os anteriores.

Lucifer Was é uma literatura progressiva de tempos atemporais, contrastes e sonhos adolescentes em mãos maduras. Uma pérola que merece o seu espaço nos grandes corredores da música com as suas grandes estrelas, conhecidas ou desconhecidas.

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