o eremita laranja

Sublimações, bar e restaurante

San Ramon

... E um Mai Tai, por favor.

Da maioridade dos heróis

Sobre Jesus, Buda e os cumes dos montes.


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De vez em quando eu me pego pensando em como estaria Sebastian Bax adulto, um professor ou médico, um vendedor de livros, vivendo todo dia com a certeza da imaginação ser um mundo concreto, um universo paralelo, dependente dos homens e o seu maior guia. Ou a vida de Harry Potter no Ministério da Magia sem aventuras para além do habitual para um burocrata mágico. E se algum dia Eric, Diana e os outros, saíssem do mundo da Caverna do Dragão? Como seria um Doug empregado e com filhos? Das aventuras e surpresas, atemporalidades, convertidos em rotina, a rotina não salientada nos tipos de aventura.

A juventude é o momento das possibilidades todas. É o crescimento do mundo no Ego. Ela é a luz verde de um orgiástico futuro.

No início da adolescência padrinhos mágicos revelam mundos secretos. Mundos logo desbravados, mágicos, mundos da música, mundos do amor. Vivemos neles e por eles. Sofremos os maiores sofrimentos e sentimos com o mais alto sentido. Irreproduzíveis sensações. Alguns viajam pelo mundo ou pela sociedade; grandes estrelas que devem durar por muito tempo ou evanescer; outros passam por pouco ou pelo pouco de tudo, outros vivem tudo em suas mentes. A vida é imensurável, ela não é menor ou maior em ninguém, não se acrescenta ou subtrai em ninguém. Memórias são pequenas realidades de lamúrias ou solenidades que criamos para nós, espelhos mágicos e exilires para a longa vida. A dor da perda de um mundo mágico pode ser insuperável ou libertadora, a diferença entre ser seu próprio herói ou monstro.

A vida continua no momento. Inquebrantável momento. Ela é agora. Contínua e agora.

Mas nenhum dos seus heróis de antes, daqueles com quem você se identificava nos medos e anseios, terá 25 anos. Ou 24 anos. Ou mesmo 27 anos. Eles não chegam tão longe. Eles ficam. Agora a morte é algo concreto e não daqueles versos, a vida é clara ou incomodamente clara, os seus dons são conhecidos, você já pode traçar uma linha sobre o seu futuro com alguma convicção frágil e consistente. Queira ou não, goste, ou não. Saberá ou lembrará. Apesar de já em declínio biológico é o ápice, o momento de melhor combinação de mente e corpo. É o seu Eu mais próprio, o Eu mais Eu.

É a fase na qual Buda e Jesus decidiram, bem antes de partir, os seus destinos. Os anni mirabiles de Newton e Einstein.

No balzaquianismo a consolidação social está pronta. Os mundos mágicos, se permanecem, permanecem em jardins bem guardados e murados. Ou assim deve ser, ou assim é dito. Talvez não importe. A vida ainda é momento, inquebrantável momento. Aquele que pensa a vida como passado está morto e aquele que pensa a vida como futuro não nasceu. E nos 20 e poucos ela é um momento no cume do monte, a grande praça, o caminho de volta.

E o eterno caminho de ida.


San Ramon

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