o grito mudo

sobre tudo aquilo que carrego em mim

Mariana Carolo

a dona de mil galáxias

Ser bruxa pode ser melhor do que ser princesa – As muitas aventuras da Bruxa Onilda

Esse artigo produziu em mim uma deliciosa nostalgia. E, acredito, essa sensação contagiará também muitos dos leitores. A afirmação não se dá por simples arrogância da minha parte, mas pelo fato de que, quem foi criança em algum momento das últimas décadas, certamente já se encantou com as fantásticas histórias da Bruxa Onilda.


Invenção da dupla catalã Enric Larreula e Roser Capdevila, também a ilustradora, a série de livros Bruxa Onilda já foi publicada em vários países. No Brasil, atualmente, é impressa pela editora Scipione, que traduziu 15 dos 23 títulos. Apesar de não ser mais nenhum lançamento (a primeira edição brasileira data do começo dos anos 90), a série continua a figurar na listagem dos livros infantis mais procurados. A questão é, o que a torna tão fascinante?

bruxa onilda.jpgA Bruxa Onilda

Primeiramente, a personagem principal, não é uma fada, princesa ou alguma boneca que corresponde a todas expectativas sociais. Onilda é uma bruxa, de chapéu negro e pontudo , vassoura e nariz gigante. Ela é temperamental, tanto que figurava como a antagonista no seriado e na série de livros “As trigêmeas”, atrapalhada e esperta. Humana, demasiadamente humana... Além do mais, a Bruxa Onilda sempre viveu muitas aventuras, nos mais exóticos cantos do planeta.

bruxa onilda veneza.jpg Capa de Bruxa Onilda vai a Veneza

Ao contrário das princesas que esperam, a personagem viaja para Veneza. Inglaterra. Nova Iorque. África. Ela tira férias quando deseja. Entra em apuros e, sozinha, sai deles. Aprende e cresce com os seus erros. O seu casamento, não dá certo. Mas, nem por isso, a bruxinha deixa de ser feliz. Onilda é uma feiticeira, só que não deixa de estar antenada ao mundo globalizado a sua volta. Como coloca Paloma Laitano (2008):

“(...) A bruxa é uma heroína que vive no terreno do lúdico, porém, suas peripécias estão intimamente ligadas com a realidade, o que facilita a sua identificação com o leitor infantil, uma vez que a personagem é atrapalhada e resolve seus problemas e dificuldades através da magia e, muitas vezes, da esperteza. Bruxa Onilda transita entre o terreno do real e do imaginário, apesar de ser uma bruxa, não pratica o mal e, (…) está sempre lutando contra os infortúnios que a vida lhe apresenta. (...)” (LAITANO, Paloma Esteves. Letrônica, Porto Alegre v.1, n.1, p. 244, dez. 2008.)

Simone de Beavouir afirmou: não se nasce mulher, torna-se mulher. Ao longo desse percurso, os brinquedos, livros e filmes constituem uma ferramenta importante, pois dizem o que uma menina ou um menino devem fazer, como eles devem se portar e quais são as funções de cada um. Por subverter as regras desse jogo é que a Bruxa Onilda me conquistou quando pequena e, ainda hoje, me encanta. Ela não ensina que as meninas devem esperar, se submeterem a um príncipe ou que elas devem ser bem-comportadas. Onilda nos fala sobre a liberdade, sobre a coragem de sermos nós mesmos. Então, que continue a ensinar muitas e muitas gerações de crianças ainda.


Mariana Carolo

a dona de mil galáxias.
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