o limiar da lucidez

Não há tempo

em Poemas por em 15 de set de 2012 às 02:47 | 2 comentários

"(...) não há dúvida que são painéis que desafiam o estro, mas, por isso mesmo que são grandes, devem ser trazidos com oportunidade e expressos com simplicidade. (...) porque o sublime é simples".
(Machado de Assis)

não há tempo.jpg

Não há tempo para dores inexpressivas
Não há tempo para canções altruístas
Não há tempo, nem espaço, para ideias a vapor
Não há tempo para rimas espelhadas
Acentos sonorosos linhas rejuvenescidas
Não há tempo para cortes educados nem cortes anarquistas
Não há tempo para sons geométricos perfeitos que não sejam provenientes da íntima
[significação do verbo ser.

(O tempo é para mãos fortes
Talhadas no asfalto
Nos girassóis da ciência nos odores da tecnologia
No trono do Universo
O tempo é para olhos velhos de simplicidade
Para almas cândidas de versos).

Não há tempo para dores obscuras.
Há tempo para o Homem primitivo, no sentido mais original da palavra.

 

Artigo da autoria de Rodrigo Della Santina.
Poeta, cronista e contista formado em Letras pela UNIMESP. Tem dois livros de poesia publicados sob os títulos “Intertrigem” e “O Limiar do Surto”..
Saiba como fazer parte da obvious.

Comentários

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Não há muito tempo, mas a ideia da eternidade nos ajuda a preencher algumas lacunas e sonhar com mais... palavras herdadas, legado de sentimentos.

Rodrigo,

Seu texto é tão belo que ganhamos tempo ao lê-lo. E a alegria diante da beleza sempre nos faz rejuvenescer.

Luhana, muito obrigado pelas elogiosas palavras. Lisonjeado por isso e contente por ter gostado de meus versos. Abraço,

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