Rodrigo Della Santina

Formou-se em Letras pela UNIMESP. Possui dois livros de poemas publicados: "Intertrigem”, CBJE, 2005 (esgotado) e “O limiar do surto”, Scortecci, 2008. Pela internet, algumas de suas obras se encontram em: Revista Flaubert, Caderno-Revista 7faces, Benfazeja, Obvious, Letras in.verso e re.verso, Crônicas do Andarilho, Diminuto, Novos Escritores Brasileiros, Das Culturas e Prosa Literária. Além disso, fui selecionado para a Colectânea Som de Poetas da Papel D'Arroz Editora, em 2015, e para a Revista Gente de Palavra nº 21, edição erótica.

Dedicatórias em livros

Além das histórias, da poesia que os livros guardam em suas páginas, eles também abraçam em suas contracapas singelos afetos, pequenos complementos de suas narrativas. A esses chamamos "dedicatórias".


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Vários dos livros que adquirimos ao longo desta comédia (no sentido dantesco do termo) guardam, por vezes, sob sua capa algumas palavras de afeto, alguns votos de prazer que seu presenteador quis compartilhar com o agraciado. Chamamos àquelas “dedicatórias”. Elas, como as narrativas que as sucedem, contam histórias, sugerem sentimentos e sensações, esboçam imagens de lugares e tempos além de nosso cotidiano.

Exemplos disso são livros de leitores, que, sentindo o mesmo que expressamos aqui, compartiram de suas impressões e emoções. Um exemplar de “Sonata” (Editora Saraiva, 1950) de Cleómenes Campos oferece, em 28-11-952, pelo punho de Nair, “com o máximo respeito e o mais sincero aprêço”, os versos ali contidos a um amigo. Outro, “A flor, o pássaro e o vento” (Livraria Martins Editôra, 1966) de Maria Thereza Galvão, se faz mais íntimo e demonstra uma ternura e gratidão para com aqueles a quem doa seu livro, rememorando épocas serenas e frutuosas.

Num momento (geralmente no início), somos seus expectadores; em outro, participamos um pouquinho desse episódio de suas vidas e conseguimos imaginar como viviam, se ainda vivem e como estão, o que sentiam (mesmo até no instante em que escreviam tais palavras); podemos supor o antes e o depois, nos relacionar, identificar, aprender com a história alheia. Não é o mesmo que “bisbilhotar” a vida de outrem; é unir-se a esses homens e mulheres como parte integrante de uma raça.

Em “Os melhores poemas de Fernando Pessoa” (Global Editora, 1994), há uma dedicatória bastante familiar. Para permitir ao leitor transmitir suas referências e bagagens às linhas que seguem e sentir o que lhe for mais caro, transcrevemo-la tal como foi encontrada no livro.

"Isabella

Eis aqui um dos maiores poetas da língua portuguesa. Conhecê-lo é fundamental, amá-lo é inevitável! Sua poesia é para toda a vida, quem o conhece jamais tira seus livros da cabeceira. Você que quer fazer Comunicação conviverá com ele para sempre. Leia-o e sinta-o e concentre-se, com certeza você vai amá-lo e à língua portuguesa.

Feliz Natal e 95 na faculdade!

Boa sorte. Carol, Mimi e Gidinho"

A amabilidade dessas linhas nos sensibiliza, pois não pretende mais que a verdade do simples carinho. Como essas palavras se desgarraram das mãos de seus antigos donos é caso que não pretendemos especular aqui, visto ser de menor importância, apesar de interessante. O mais relevante é termos podido partilhar um pouco (às vezes como se olhássemos pelo buraco duma fechadura) de suas histórias, de seus anseios. Por isso cremos: as dedicatórias são um livro à parte.


Rodrigo Della Santina

Formou-se em Letras pela UNIMESP. Possui dois livros de poemas publicados: "Intertrigem”, CBJE, 2005 (esgotado) e “O limiar do surto”, Scortecci, 2008. Pela internet, algumas de suas obras se encontram em: Revista Flaubert, Caderno-Revista 7faces, Benfazeja, Obvious, Letras in.verso e re.verso, Crônicas do Andarilho, Diminuto, Novos Escritores Brasileiros, Das Culturas e Prosa Literária. Além disso, fui selecionado para a Colectânea Som de Poetas da Papel D'Arroz Editora, em 2015, e para a Revista Gente de Palavra nº 21, edição erótica..
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