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Foi com Carlos, ser gauche na vida

Suellen R.R.

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L.S. Lowry, um pintor de domingo

Fruto de um lar insólito, L.S. Lowry (Lawrence Stephen Lowry) encontrou na monótona Pendlebury o motivo de sua obra artística. Colocando em cena os distritos industriais, ingenuamente era considerado um ingênuo “pintor de domingo” por alguns de seus contemporâneos.


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A história de Lowry preenche basicamente todos os requisitos de um artista à margem: um lar repressor, poucos amigos, dificuldades para atingir o reconhecimento de sua arte, manter um emprego “normal”. Durante praticamente toda a sua vida trabalhou como cobrador (rent collector, nesse caso, a pessoa responsável por cobrar aluguéis) para a Pall Mall Company. Nascido em 11 de novembro de 1887, em Stratford, Lanashire (Inglaterra), o pintor das paisagens industriais inicia a sua instigante e incomum trajetória. A mãe, Elizabeth Lowry, desejava ter uma menina, mas L.S. Lowry foi seu único legado. Irritadiça, perfeccionista – fruto de uma criação rígida – não poupava esforços para usar seus problemas de saúde para garantir o controle sobre o marido, Robert Lowry, um homem tímido, descrito por Lawrence como “a cold fish” – mais por sua introspecção do que por sua relação com Lawrence.

Em 1909, devido a dificuldades financeiras, a família muda-se para Pendlebury, onde Lowry encontrou, por acaso, inspiração para sua obra artística. Um belo dia, Lawrence perde o trem para o trabalho. Ao observar as fábricas, o quanto a paisagem de Pendlebury estava tomada por colunas de concreto ao invés de árvores, Lowry ficou obcecado por aquela atmosfera tão cinzenta.

O cenário industrial, as ruas tomadas por pessoas, eram de grande interesse para o pintor britânico. Postumamente, descobriu-se uma série de pinturas eróticas, conhecidas como “marionette works”.

Alguns de seus quadros realmente parecem simples demais, Lowry era um ingênuo pintor de domingos, segundo seus contemporâneos. Os quadros retratam, muitas vezes sem nenhuma cor, pessoas andando para lá e para cá, rodeadas de imensos prédios. Outros possuem cores, porém sempre com um traço forte destacando o contorno da imagem. É o caso de “A fight” e “A doctor’s waiting room”. Por outro lado, “Behind of leaf square” parece ser uma das obras as quais poderiam ser classificadas como ingênuas. Parece ter sido desenhada por uma criança – o que não a torna menos interessante, obviamente.

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Mas, após minha pesquisa sobre a vida e obra do pintor, “Blitzed site” é um dos seus trabalhos que mais chama a atenção. Um homem parado no meio de uma cidade destruída, aparentemente perplexo. A melancolia do sujeito consumido pela cidade. Em tempo: “A manufacturing town” é um belo registro de toda a feiura das fábricas com sua nuvem de fumaça negra pairando no céu.

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L.S. Lowry morreu de pneumonia em 23 de fevereiro de 1976, aos 88 anos. Hoje, sua coleção é valiosíssima, estamos falando de alguns milhões de libras.

Grande parte da coleção do pintor está aberta ao público na Stalford Quay, chamada The Lowry, e foi exibida em 2013 na Tate Britain pela pimeira vez.

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As pinturas, na ordem em que aparecem: A manufacturing town - Copyright State London Museum A doctor's waiting room, A fight e Blitzed site- Copyright The Lowry Collection, Salford Essa imagem do L.S. Lowry foi retirada da wikicommons.


Suellen R.R.

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