o mundo e mais um ponto

Foi com Carlos, ser gauche na vida

Suellen R.R.

Tá que nem o Bowie. We can be heroes, but just for one day.

O silêncio dos inocentes. Quem pode falar de literatura?

O aumento de compartilhamentos de blogs que resenham livros, a fama dos "book tubers" (ou vlogueiros) e a aura geek. Mesmo assim, há quem torça o nariz. Quem pode falar da literatura, afinal? Um comentário pessoal desta que vos fala sobre essa nova onda que é, justamente, falar sobre livros.


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A vontade de escrever sobre esse assunto surgiu da leitura de uma matéria (clique aqui!) da Paola Rodrigues, e de um vídeo que a Tatiana Feltrin postou certa vez, levantando também essa questão polêmica. Afinal, quem pode falar de literatura?

Explico um pouco da minha "condição": sou formada em Letras - Português/Inglês, estou terminando o mestrado em História da Literatura e já partindo para o doutorado nessa mesma linha. No entanto, talvez possua uma visão um pouco mais democrática sobre esse imperialismo acerca da literatura.

O grande problema: a literatura, vista como ciência, não recebe o devido reconhecimento. É preciso ralar muito para convencer os teus colegas engenheiros, advogados e administradores que aquilo que você faz é ciência. Bem, se as outras áreas não nos entendem, não é culpa nossa. Fazemos ciência, sim. Temos o objeto, a metodologia e a teoria para nos respaldar.

Daí a origem, creio, dessa verdadeira repulsa por quem fala de literatura no que tange dois aspectos: gosto e entretenimento. Admitir que se pode ter prazer a partir da leitura parece uma aberração. Não! Impossível! Ler é analisar cientificamente aquele pedaço de capa e folhas, você que não faz Letras não pode sequer pensar em proferir sua opinião. Certo?

Errado.

O Brasil, apesar desse monte de gente sendo book tuber, vlogueiros, como queiram, ainda é um país de poucos leitores. Existe, sim, uma aura que paira sobre quem lê, vê filmes descolados e joga games intelectuais. Talvez o maior entrave e a demonstração de que ainda somos mesmo atrasados, é esse endeusamento de quem utiliza a cultura (às vezes nem aproveita tão bem assim) como se isso fosse algo de outro mundo. Daí, você fecha a boca de quem quer dizer que o livro lá da Meg Cabot é legal. Quer dar tapas na cara de quem fala bem de Crepúsculo. Existe a boa literatura e a literatura ruim, contudo às vezes a literatura ruim te diverte bem mais do que a boa. E não há nenhum mal nisso. Durante minha infância e adolescência eu nunca me apeguei aos clássicos. Sempre li coisas que a academia julga “ruim.”

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Por isso, na minha visão, a academia precisa se livrar de algumas amarras, isso só faz o público leitor, tão escasso, se afastar cada vez mais da gente. E isso é uma injustiça. Por isso, continuem falando cada vez mais de literatura. A pessoa que leu um livro e quer dar sua opinião sobre o assunto sem embasamentos teóricos está absolutamente autorizada a fazê-lo. Ela está falando sobre um livro, não está dando uma aula para alunos de Letras.

Quando comento alguns livros em meu blog pessoal, raramente relaciono os elementos da narrativa com teorias. Teoria é para artigo acadêmico, é para a minha pesquisa científica.

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No blog, posso deixar transparecer a minha subjetividade, mesmo que às vezes pautada em uma impressão tênue, um achismo. É por essa razão que fico tão contente com a proliferação de canais no youtube, de blogs e sites que tratam do tema.

Clique AQUI para ver a matéria publicada na Zero Hora sobre os vlogueiros.

Clique AQUI para conferir meu blog pessoal, caso tenha ficado curioso e queira dar uma espiada.

As fotos publicadas nessa matéria fazem parte de meu arquivo pessoal.


Suellen R.R.

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