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Suellen R.R.

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Poesia completa de Manoel de Barros - esboços

A utilidade da poesia. A inutilidade da poesia. Defendam o ponto de vista que quiserem, mas o sucesso das publicações de obras poéticas completas denota um novo horizonte à vista. Nesse “capítulo” de minha crítica literária, destaco Manoel de Barros.



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Nascido em Cuiabá, Mato Grosso, o poeta Manoel de Barros canta paisagens, bichos, pessoas e coisas. Todos esses elementos mesclam-se em um só durante seu percurso de rio e de poeta.

A poesia completa do Manoel de Barros é um grande achado. Conheci o autor através de colegas que estudam a sua obra; outros tantos que o admiram, e basta. Primeiras considerações: ler uma poesia completa tem seus prós e contras. Conseguimos ter uma visão geral do pensamento do autor, mas, ao mesmo tempo, sinto falta de me atentar ao “particular” de cada obra. Não que isso seja um problema, é apenas um sentimento de dar a determinada obra a sua cara, sua individualidade. (besteira minha) Felizmente, o poeta se mostra fiel a alguns temas: a árvore, a pedra, o pássaro, Bernardo e os andarilhos.

A obra intitulada Poesias (1947) me lembrou um pouquinho o Drummond de A rosa do povo; Compêndio para uso dos pássaros (1960) me fez pensar em Clarice Lispector.

Um dos livros mais interessantes, na minha opinião, se pensarmos em sua projeção na poética do Manoel de Barros é o Livro de pré-coisas (1985). Nessa obra, o autor estabelece artisticamente uma série de elementos como: narrador, local (cenários), o personagem propriamente dito, em diversas fases da vida, tendo como encerramento um breve bestiário (ou uma história natural, como quiser). Como o próprio título esclarece: é um livro do que ainda é anterior as coisas. Apresenta-nos o pré. Depois dele, aquelas imagens irão ter tempo para maturar e desenvolver, voar, pular no rio, encontrar um pássaro e, nas costas de um sapo, pular mundo afora. (esses últimos dados são coisa da minha cabeça, mesmo)

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Percebi, ao longo da leitura, a recorrência de alguns elementos. Não me refiro à repetição de vocábulos, mas retomadas de imagens surgidas em momentos diversos de sua obra. Isso é muito interessante; Drummond faz isso, mas creio que Manoel de Barros o faz mais e melhor. E não apenas em relação a Bernardo; seu avô associado à ideia de abandono somado a solidão é recorrente. O beija-flor de rodas vermelhas aparece em mais de um poema (minha memória diz que são dois, agora já não sei mais…)

Seus momentos metapoéticos (seriam todos?) são espetaculares. Manoel de Barros entende perfeitamente o quão essencial para a poesia é tirar a palavra da sua zona de conforto sintática, morfológica e semântica.

Atrelado à natureza, sua poética é um tratado de auto-conhecimento e conhecimento da poesia. O avô é abandono, Bernardo um dia se reconhece árvore, em alguns momentos ele-lírico quer ser pedra.

Ao longo do caminho, anotei alguns versos interessantes:

“A gente é cria de frases!”

“O poema é antes de tudo um inutensílio. [...] Ninguém é pai de um poema sem morrer.”

“Pode um homem enriquecer a natureza com a sua incompletude?”

“Há muitas maneiras sérias de dizer nada, mas só a poesia é verdadeira.”

“Tudo que não invento é falso.”

“Perder o nada é um empobrecimento.”

“O meu amanhecer vai ser de noite.”

“Melhor que nomear é aludir. Verbo não precisa de noção.”

Considero essa primeira leitura uma impressão geral, não sei se as coisas afirmadas anteriormente fazem algum sentido, mas é essa a primeira gravura de Manoel de Barros na minha mente. Talvez, retornando sempre à obra, possa mudar de ideia, ou reforçá-la.

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Suellen R.R.

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