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Suellen R.R.

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A identidade de Jack, o estripador: realidade ou ficção?

Um dos serial killers mais intrigantes de todos os tempos teve sua identidade revelada pela escritora norte-americana Patricia Cornwell. Apesar das controvérsias, o estudo de fôlego aponta direções para a solução do enigma. Pergunta: vale a pena mexer em toda a aura mística envolvendo Jack?


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Em 2002, Patricia Cornwell, uma escritora famosa de romances policiais, publica Portrait of a killer: Jack the Ripper- case closed (Retrato de um assassino: Jack, o estripador - caso encerrado, na edição brasileira pela Companhia das Letras). O livro é o resultado de uma investigação de fôlego feita pela autora com a finalidade de comprovar sua tese de que o famoso serial killer das ruas de Whitechapel, era na verdade um pintor, o alemão Walter Sickert. Na época, sondava-se a hipótese de que o homem poderia estar ligado à medicina ou ser mesmo um açougueiro, dada a grande habilidade no quesito estripar.

Enfim, li esse livro da Patricia Cornwell já faz um bom tempo, lembro que gostei bastante. Ela realmente consegue te convencer de que a trajetória do pintor e os relatos dos crimes podem ter suas arestas unidas. A maluquice chega a ponto da autora mandar avaliar a saliva de Walter Sickert, encontrada em uma carta. O DNA mitocondrial, conclui-se, é mesmo de Sickert.

Entretanto, é preciso ter evidências mais concretas para dizer 'creio que o assassino era esse pintor.' Segundo Cornwell, Walter Sickert foi visto em várias cenas de crime. Ainda, alguns de seus quadros remetem a cenas de crimes também. Um exemplo, é esse, no qual a mulher aparentemente está morta, com uma corda envolta no pescoço:

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Entretanto, pintar mulheres nuas e, supostamente, com uma corda em volta do pescoço era bastante recorrente em Sickert, mesmo que fossem em diferentes contextos. Em tempo, o pintor também produziu muitos retratos e pinturas de paisagens. Por outro lado, sua coleção de livros de anatomia indicavam um forte indício de sua parte nos crimes - para Cornwell, claro. A Scotland Yard daquele tempo jamais teve uma vaga ideia de quem pudesse ser o assassino.

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Apesar do empenho da Patricia, o qual achei bastante rigoroso e imagino o dinheiro que essa moça investiu para levantar cada informação e evidência, creio que muitos hoje ainda duvidam dessa sentença final justamente pelo desejo de manter a lenda Jack, o estripador viva em nossa mente. Atribuir uma identidade ao estripador implica em destruir Jack, aquele que conhecemos, quem nos surpreende e aterroriza.

Respondendo a pergunta desse post: pode ser que a identidade de Jack seja essa mesma. Mas, no fundo de minha alma, prefiro acreditar que ele ainda é Jack e que a sua história - e não a de Sickert - ainda continuará a surpreender muitas gerações.

Para conhecer mais a produção artística de Walter Sickert, visite BBC Your Paintings.


Suellen R.R.

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