o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A dificuldade de se sentir amado

Quando a gente discute ou reflete sobre amor e sobre pessoas que têm problemas com isso, tendemos a pensar que talvez o maior obstáculo ao amor seja não conseguir amar. Mas tenho refletido algo sobre isso e penso que talvez o problema seja outro: não querer, conseguir ou sequer tentar se sentir amado/a. Não falo (apenas) de amor romântico. Falo por experiência própria e pelo que eu vejo de meus entes queridos ou nem tão queridos.


elderly-holding-hands1.pngCada um tem seus próprios problemas. Dificilmente nos formamos como pessoas da forma como gostaríamos. Pois a verdade é que ou temos mães ou pais com seus próprios problemas, e ausentes ou de alguma forma incômodos, ou temos problemas com amigos, conosco mesmos ou com a realidade em si. De alguma forma, em várias situações, podemos – digo podemos, não digo com certeza absoluta – acabar nos tornando meio reativos ao contato.

A psicologia rasteira tende a achar que quando temos problemas de admitir ser amados isso deve ser problema de autoestima. Ou seja, gostamos pouco de nós mesmos e portanto tendemos a reagir ao amor do outro com recusa. Mas acho essa explicação, como já disse, rasteira.

Meu pai era um cara ensimesmado, para dizer o mínimo. Tinha suas fixações e seus problemas. Não me lembro de UMA VEZ em que eu tenha conversado com ele. Bom, tivemos nossos problemas – sérios –, e um dia ele precisou do apoio da família. Claro, a situação era complicadíssima, séria mesmo, e nessas situações é preciso aquele IT que faz a diferença. Bom, não houve nada disso. Os desentendimentos só se acirraram e assim a situação foi sendo “resolvida”.

Penso nele, num cara com questões mal-resolvidas, com situações incômodas, com erros sendo cometidos, com incompreensões, etc. E penso se ele aceitava ser amado. Não sei. Não posso generalizar e dizer que tudo vinha daí. Ele está morto há quase 20 anos e nem quero lembrar tudo o que passamos. Mas é uma hipótese.

No caso de outros entes queridos, quase a mesma coisa. Pessoas que se dedicam a você continuamente – mães, irmãos, amigos, namoradas, etc. – que não aceitam uma resposta de carinho – ou que fazem de conta que não é com elas. Ou que, quando respondemos de forma similar à que essas pessoas utilizam para nos demonstrar carinho, desconsideram ou têm algo mais a fazer. Com o tempo, a gente acaba se afastando – ou não. O carinho a ser demonstrado fica lá para trás. A gente prefere deixar passar. Cada um toma seu caminho – e um dia a gente, com grande possibilidade, nota que era isso mesmo – essa pessoa tinha uma dificuldade muito grande em ser amada.

Conheço gente que tem problemas similares com parentes, geralmente mães e pais. Mas novamente não posso generalizar. O mundo é duro, e temos de nos virar. Pessoas que respondem com dureza diante de pedidos de carinho muitas vezes simplesmente não têm tempo ou acham – muitas vezes com razão – que não podemos ficar por aí reclamando ou dando uma de frágeis, pedindo colo. Não é por isso que podemos achar que tais pessoas não conseguem ou têm dificuldade em ser amadas. Às vezes – muitas vezes – o problema pode mesmo ser outro.

Claro que temos de distinguir, aqui, claramente o amor, puro e simples, do amor romântico. Não podemos dizer que quem tem problemas de ser amado tem também dificuldade de admitir qualquer amor romântico. O amor romântico segue, pelo que noto, suas próprias regras. Ou seja, não posso dizer que aquela pessoa que alguém ama romanticamente não ama ou tem dificuldade de me amar (também romanticamente) essa pessoa porque tem dificuldade em ser amada, pura e simplesmente. No amor romântico há a questão, pura e simples, da escolha.

Mas seja como for, noto, sim, que em muitos casos quem não ama romanticamente alguém parece ter, em alguma medida, uma certa dificuldade ou restrição em ser amado/a. Por que digo isso? Porque noto que há certas ocasiões em que o objeto do amor romântico meio que desconsidera, pura e simplesmente, que o amor e o amor romântico segue regras que às vezes independem, em alguma medida, da liberdade de escolha. Mas isso é problema para outro artigo.

Como assim, vocês irão dizer. Nada, não. É que acho que às vezes as coisas simplesmente acontecem. Mas tudo bem. Nada demais. Voltando ao caso da dificuldade em ser amado. Há pessoas que passam boa parte do tempo da vida com essa dificuldade. Recusam namoros porque simplesmente não conseguem aceitar a ideia de serem vistos como namorados. Recusam interesses diversos pelo mesmo motivo. Em parte por problemas de autoaceitação. Em parte, de autoestima. Depois embarcam em longos relacionamentos sequer vendo que eram objetos de amor romântico intenso e quase cego. Tudo então acaba e essas pessoas ficam a ver navios.

Eu mesmo não sei bem o que penso a respeito. Só sei que acredito ter aprendido, muito recentemente, o que é realmente amar – amar por si só e, creio, romanticamente – e que vejo algo em que antes simplesmente não reparava. Qual seja, a capacidade do outro de amar e de ser amado. Não é à toa que MUITO aconteceu nas últimas semanas que simplesmente MUDOU RADICALMENTE minha vida. Com parentes, amigos, amigas, vizinhos, etc. Abri minha cara a tapa e não levei tapas. Ao contrário, levei só flores. Um dia conto.


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