o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

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E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

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A história real de um fotógrafo adorador de mortos

Conheci um fotógrafo de jornal diário que adorava tirar fotos de mortos.


6a00d83452b9c469e200e54f6b584f8833-800wi.jpgEle dizia que preferia fotografar mortos porque eles ficavam quietos. Mas ele não parava por aí. Esse meu colega de jornal tinha um gosto estranho.

Quando ele encontrava um morto, sempre procurava ângulos inusitados. Coisas de que até Deus duvida.

Um dia tive acesso às fotos que ele fez e que jamais vocês verão publicadas em lugar algum (ou quem sabe na Deep Web, vai saber). Foi assim.

Eu fora cobrir um evento num fim de semana. O evento não era nada importante.

Em certo momento, fiquei no carro esperando pelo fotógrafo.

Ele havia deixado dois álbuns de foto no porta-luvas.

Peguei os álbuns e os folheei. Lá havia de tudo. Meus olhos saltaram com o que vi.

Vi fetos jogados no lixo. Viciados descansando em riachos. Gente amassada por debaixo de pontes.

Restos de humanos presos em ferragens. Gente cortada em pedacinhos.

Vi os restos dos Mamonas Assassinas. Vi crânios de mortos recentes fotografados pelo lado de dentro.

Vi montanhas de pedaços de gente, o que sobrou de batidas de carros importados.

Foi quando entendi que boa parte daqueles mortos eram resultado de burrice. Não precisavam ter tido o destino que tiveram.

Nas fotos, só mortos. Feridos, nem pensar.

O fotógrafo em questão era um cara estranho. Tinha no carro um rádio da polícia. Diziam que ele forjava flagrantes em desafetos. Nunca mais soube dele.

weegee_street_photo_water.jpgO fotógrafo Wegee (1899-1968) foi, pelo que sei, o precursor desse tipo de profissional. O norte-americano cobria a noite nova-iorquina, naquilo que de melhor e pior ela tinha.

Um dia fiz uma peça. Uma das sacadas da peça foi ver as pessoas do mesmo jeito que Wegee as fotografava num cinema às escuras. Consegui o efeito.

O fotógrafo desse jornal do qual saí há bastante tempo não adorava mortos, pura e especialmente. Ele era um deles.


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