o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Amor de fato e de direito

São incontáveis os filmes (e aumentarão ainda mais) que tratam da questão do amor de fato e amor de direito. Um deles, por exemplo, é Harry & Sally – Feitos um para o Outro. Uma grande atração desse clássico – que nem é muito bem feito, basta reparar – é deixar-nos torcendo para que eles, Harry e Sally, admitam o que todo mundo vê, menos eles: que se amam.


la-strada.jpgIsso, para mim, é amor de fato. Amor de direito, contrapontisticamente, é o amor que a gente escolhe, aquele que a gente determina que deve ser e que acaba muitas vezes acontecendo e levando a destinos tão ou mais interessantes que o primeiro.

Há tantos filmes assim quanto outros que dissertam (dissertar não é bem o termo, mas convindo que o arrazoamento do filme é uma argumentação, no final das contas...) sobre amores percebidos tarde demais. Um filme desses é “A Estrada da Vida”, com a fabulosa Giuleta Masina e Anthony Quinn, em que este... bom, deixa para lá. É um dos filmes mais comoventes que eu conheço – e que descobri bem tarde.

Imagino que os olhos de palhaço incólume pela vida de Masina constranjam até um morcego (comparação idiota, né, pois é, é provocação, e tenho que dizer) pela profundidade do sentimento neles aflorado (inverter aqui é meio chatinho, imagino. Fazer o quê, quis fazer).

Quem sabe a atração que filmes com essas tramas exercem no público se deva justamente a que finais felizes, ou amores correspondidos, assim, clara e simplesmente, parecem em algo dever ao lirismo de seres mal-ajustados como os seres humanos. Pois é quase uma quimera – embora assim desejamos – achar que a felicidade está aqui, bem ao nosso lado, ou que basta um esforçozinho qualquer para superarmos as dificuldades e embarcarmos numa felicidade que sabemos utópica.

E em filmes, realmente, atrai bem mais falar do que dá errado, mas que pode dar certo, do que daquilo que necessariamente está fadado a ter sucesso. Se Steve Jobs ainda estivesse vivo talvez não fosse esse guru que muitos elencam.

O que parece estar por detrás de toda essa questão entre amor que acontece e amor que é determinado de alguma forma é a consciência envolvida naquilo que ocorre entre dois seres humanos. Há quem perceba as coisas tarde demais – como o protagonista de Quinn em A Estrada da Vida – e quem perceba as coisas somente aos poucos, meio que envolvido pelas situações (como os protagonistas de Harry & Sally).

Há, claro, quem nunca perceba nada, mesmo havendo algo, e quem nunca perceba simplesmente porque não há nada. E há também o fato de gente que não acredite que as coisas aconteçam, e outros que só acreditam nisso. Há de tudo quanto é jeito.

Difícil é ver esse tipo de dilema nos filmes de Bergman, por outro lado. Quem sabe pela própria temática a que eles se submetem, os filmes do sueco, se tratam de inconsciência, não é, ao que parece, em assuntos que dizem respeito a escolhas como namoro, noivado, casamento.

A inconsciência, em Bergman, parece estar colocada mais atrás, em assuntos mais, digamos, existenciais que meramente vivenciais. Não que a vida corriqueira, em Bergman, valha tão pouco assim. Mas o sueco parece, ao menos para mim, restringir-se a questões mais sérias do que escolher com quem passaremos a vida. Mais sérias?

Hum....


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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