o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Defesas contra o amor

Ninguém pode obrigar-se a amar ou a tal ponto valorizar o amor do outro que isso venha a lhe causar transtornos com respeito aos seus próprios sentimentos de amor.


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Mas, pergunto-me se não estará bastante difundida por aí a ideia de que precisamos, no fundo, defendermo-nos do amor quando ele aparece em vasos que não nos agradam.

Minha parca experiência me diz que, em questões de amor, ficar discutindo conceitos ou generalidades pode trazer mais danos do que ganhos àqueles que se dispõem a trilhar o caminho da alegria e da dor em busca de amor.

Essa conclusão me veio recentemente ao reparar que, sempre que discutimos conceitos, tendemos a encastelar-nos em arcabouços teóricos que no fundo só servem mesmo para guardar-nos de nossos reais sentimentos. Justificamos as presenças ou as ausências em nossas vidas como se elas tivessem fundamentos racionais quando são meras escolhas, muitas vezes idiossincráticas.

Por outro lado, venho notando que o amor simplesmente se impõe a quem ama e a quem é amado. Ele parece surgir, nesse sentido, sob a forma de atitudes que acontecem, pura e simplesmente, e que fazem com que os indivíduos mal pareçam saber o que fazem.

Pode parecer exagero, mas certos sentimentos de amor levam o amante a arriscar a própria vida pelo amado. Outras vezes levam o amante a negar-se continuamente em benefício do outro. Há situações de amor que levam quem ama ao paroxismo de defender aquilo em que não acredita – em nome do amado. Só citei renúncias, neste parágrafo. Mas o amor não supõe apenas renúncias, é claro.

Diante de tais atitudes, o amado vê-se diante de um dilema. Como fazer para retribuir (caso não ame de volta)? Como fazer para não aproveitar-se da situação (caso envolva interesses variados)? Como fazer para o amado resguardar a si mesmo e ao outro? Muitos dos dilemas que surgem quando uma pessoa ama outra dizem respeito a defesas de um contra o outro.

Mas há defesas outras, também. Como dizer que não se ama de volta sem conhecer o outro. Como afirmar que o outro não sente amor, só finge que sente. Como afirmar conceitos variados para defender-se de situações incômodas, que podem jogar muito a perder. Quem é amado tem tudo ao seu dispor, mas ao mesmo tempo fica na defensiva. Ser amado exige uma responsabilidade bastante grande para determinado tipo de pessoas.

Noto que, com o passar do tempo, até a geleira mais inexpugnável tende a se quebrar. Que pessoas que não conseguiam se entender de forma alguma podem, devidamente orientadas, se juntar de tal forma que mal consigam ser compreendidas em separado. Sei também que determinados processos de crescimento podem aproximar opostos, assim como afastar amigos do peito. E o amor é um fenômeno que passa por processos desse tipo.

Fato é que, se o amor é verdadeiro, o maior prejudicado ao não enxergá-lo pode não ser quem ama, mas quem é amado. Pois mesmo que haja motivos mais do que suficientes para quem é amado negar o amor dado, uma cegueira irresponsável diante do que acontece pode fazer o amado perder a oportunidade de aprender mais sobre amores atuais e futuros. Nesse sentido, todos perdem. Por fechar as porteiras antes do tempo.

Ninguém deveria sentir-se acuado pelo amor. Mas a sociedade contemporânea é pródiga em riscos a quem simplesmente se expõe. Nesse sentido, criar defesas é quase natural. Problema é quando o foco na defesa deixa-nos incapazes de enxergar os olhares à nossa volta, que podem querer quase excessivamente o nosso bem. Aí perdemos tudo o que há de bom – magoamos e além de tudo nos esquecemos da maior lição do amor: a entrega. Entregar-se não é para qualquer um, nós bem sabemos. Mas pode ser.


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