o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Distrações mortais

Não sei bem – embora gostaria de saber – qual é a metodologia e resultados quantificados daquelas pesquisas que dizem que as pessoas que não usam facebook são menos solitárias do que as viciadas nessa rede social. Mas existem alguns fenômenos ligados ao uso do face que considero inquestionáveis. Gostaria de falar um pouco a respeito deles.


lost-folder-ID-18918-500x353.jpgTenho certa tendência, é certo, a desconfiar desse tipo de pesquisa, tão ampla e com resultados aparentemente inquestionáveis (afinal, o que é ser solitário?). Acontece como naquelas pesquisas lá do Norte em que institutos de renome chegam a conclusões esdrúxulas com base em conceitos ligados a questões como felicidade (por exemplo).

Mas existem alguns fenômenos ligados ao uso do face que considero inquestionáveis. Gostaria de falar um pouco a respeito deles. Um desses fenômenos é a tendência a uma certa ausência de foco tão logo ligamos a telinha azul. Esse “desfoco” é claro quando nos abrimos àquilo que simplesmente aparece.

Por exemplo, quando abrimos um jornal, cuja estrutura é predeterminada – capa, página 2 de colunas e comentários, 3 de debates, etc. (uso a Folha como exemplo) –, nós claramente nos “preparamos” para aquilo que iremos ler.

No face, não. A gente abre a tela e abrimo-nos, aparentemente sem defesa, para qualquer coisa que venha a aparecer. E pior: se temos muitos amigos (desconhecidos), aparecem coisas que jamais esperaríamos ver.

E pior: elas nos atingem sem trégua, não param de aparecer, e os critérios pelos quais aparecem independem de qualquer coisa determinada (claro que existem algoritmos e critérios editoriais no próprio face, mas em linhas gerais ninguém consegue prever o que nós, cada um em particular, pode estar vendo AGORA).

Para evitarmos essas surpresas – e muitas outras –, podemos restringir nossos amigos e amigas. Podemos reduzir o número de grupos de que participamos. Mas sabemos em que isso vai dar: numa carência cada vez maior por “novidades”. E sabemos também que não irá adiantar: o próprio face encarregar-se-á por colocar cada vez mais coisas novas em NOSSA tela.

Outro fenômeno com que acabamos nos deparando, tão logo ligamos a tela azul, ligado ao primeiro, é a perda quase absoluta da noção de tempo. Pois as coisas aparecem sem parar, mas, de forma que ainda é para mim um enigma, tendem a ocupar mais e mais espaço em nossa mente, no espaço e no tempo.

Pois aquilo que deveria ser passageiro torna-se permanente. Diria que uma espécie de estrutura de ação e de pensamento passa a ocupar a tal ponto nosso tempo que joga para escanteio qualquer outro critério de relevância que NÓS estabeleçamos para nossas tarefas.

Isso fica claro quando, após navegarmos DESPREOCUPADAMENTE, percebemos que o tempo se foi e que DEIXAMOS de fazer o que havíamos, tão conscienciosamente, determinado para essas horas que já se foram. Ou seja, além de perdermos o foco, perdemos o tempo.

Outro fenômeno ainda, ligado aos dois primeiros, é um eterno sentimento de ESPERA. Quando ligamos o face, permanecemos o tempo todo como que em stand-by, ansiosos por uma resposta para alguma coisa que postamos (seja na timeline ou inbox) e cientes de que algum cara qualquer – nem precisa ser nosso “amigo” – pode postar QUALQUER COISA e com isso INTERROMPER de forma INAPELÁVEL qualquer coisa que possamos esta fazendo.

Outro fenômeno ainda, relacionado aos três primeiros já citados, é a nivelação da informação. O que quero dizer com isso? Quero dizer que, na medida em que estamos dispostos a receber qualquer coisa, e em que somos avisados quando ALGO CHEGA, tudo passa a ter, ao menos formalmente, a mesma relevância.

Pois tanto faz se um amigo nos diz que estará naquele bar determinado, ou se tal conhecido compartilhou um vídeo sei lá de quem, ou se um parente pede ajuda porque está preso em alguma rua qualquer, sem dinheiro e em situação calamitosa, tudo é AO MENOS FORMALMENTE A MESMA COISA. Isso faz com que, em nossa sensibilidade, tudo passe a ser considerado AO MENOS FORMALMENTE da mesma importância relativa.

Claro, quando recebemos um pedido de ajuda tendemos a dar a real relevância ao caso. Quando vemos um link de um conhecido tendemos a considera-lo ou não. Quando sabemos se algum amigo ou amiga estará em algum outro lugar tendemos a avaliar nossa situação e nosso real desejo de compartilhar os momentos. Sei disso. Mas, na prática, NADA parece realmente NOS AFETAR. Ficamos meio insensíveis a tudo, salvo caso contrário.

Ou vocês acham que eu conseguiria ter escrito isto aqui, que foi relativamente curto e rápido, com o face ligado?

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Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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