o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Lúcido?

Noto que B parece ter algo com F. Daí vejo que F tem a ver com D. Penso se B leva a D. Concluo outra coisa.
Penso assim porque tenho uma profunda insegurança com o método indutivo.


10394668_884909124868286_484929123975441837_n.jpgOntem, acabara de conversar longamente com uma amiga, que me deixava na Consolação. Aí vi a primeira, que se declarara. Magra, sempre branca, bonitos traços, longuilínea, andando de salto alto, saindo de um tribunal. Fumava. Olhava um olhar saltado. Seus olhos saltaram contra mim. Virei-me. Havia um esgar nos dentes amarelados. Foi.

A primeira deixou-me na avenida. Acenou duas vezes, de leve. O carro foi, fagueiro (e foi fagueiro). Parecia andar sozinho. Senti confiança em tudo. Em tudo.

Lembrei-me de quando saí pela primeira vez com uma garota. Consolação. Quando atravessávamos, passou um carro com um motorista que eu conhecia. Era um ex-colega de ginásio que me enganara uma vez ao trocar selos – e se vangloriara depois (várias vezes). Não me viu. Ela nunca soube. Eu nunca refletira a respeito.

Outro dia, ele mesmo passou na Augusta quando eu acompanhava uma amiga que entrara no meu grupo de teatro. Novamente não me reconheceu. Eu o vi e parei um pouco minha lucidez que me mata. Que me obriga a ver tudo o que acontece – e que fora o objeto da discussão com aquela minha primeira amiga – a da carona (primeiro parágrafo).

A discussão foi assim.

O Ney Matogrosso, segundo ela, é mais lúcido que eu. Lucidez que chamou de B.

"A lucidez A seria: 'este carro é vermelho'".

Minha lucidez é diferente, eu lhe disse. Minha lucidez é dedutiva. Eu reparo em tudo. E conecto. Vejo x, y, z e tudo o mais. Reparo no todo. Mas os dados acumulam-se. Aí surge uma hipótese, tipo x tem algo com a. Reflito e vejo se a conexão bate. Se bate, leva-me a uma conexão. Essa lucidez não é apenas este carro é vermelho. Esta lucidez é A, B, C, D, E, F e G (acumulação). Noto que B parece ter algo com F. Daí vejo que F tem a ver com D. Penso se B leva a D. Concluo outra coisa.

Penso assim porque tenho uma profunda insegurança com o método indutivo. Tipo, o mundo parece comportar-se de forma B. Daí tiro C (o mundo comporta-se dessa forma). Eu não acredito em regras gerais. Muito menos em inferências lógicas a partir delas.

Já a lucidez do Ney seria indutiva. Claro, o Ney deve saber muito mais da vida que eu. Deve ser mais lúcido que eu. Não duvido. Quem sou eu.

Voltemos aos casos iniciais. A garota que vi saindo do tribunal. Ela remeteu-me ao começo de minha vida sentimental. Começo que remete a um outro relacionamento. O cara que vi quando saía com aquela garota: uma conexão com o passado. O mesmo cara quando andava com minha amiga: o mesmo.

Dá para concluir algo disso tudo? Os místicos, loucos ou similares ao personagem de Russell Crowe em Uma mente brilhante diriam que sim ou que pode ser. Eu digo que não. Mas digo com certa relutância. Jung fala de sua teoria da sincronicidade. Ele diria que tudo tem a ver. Que eventos conectados quando não há relação causal dizem alguma coisa. Não sei.

Digo que não. Que por enquanto não. Mas que causa estranheza. Ah, se causa.

Pois: https://www.youtube.com/watch?v=SmVAWKfJ4Go


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