o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Política é com todos nós (réplica a “Política virou mundo à parte”, de Clóvis Rossi)


daumier17.gifParágrafo 1: A política começou com um negócio entre compadres; tornou-se uma disputa de gangues; virou uma luta por espaço entre iguais. Vivemos o de sempre: a maioria não participa, alguns se dispõem, outros saem de cena. Política representativa é disputa por votos (interesses) (Schumpeter).

Parágrafo 2: Mundo político nunca foi, a não ser para os idealistas, o lugar de cumprimento do bem comum. As políticas têm o bem comum em vista, apenas.

Parágrafo 3: Se alguém se dispõe a entrar na política por amor está fazendo algo errado. Partidos são grupos de defesa de interesses. O Brasil nunca teve pedigree para desenvolver fenômenos políticos sui generis.

Parágrafo 4: Se 30% acreditam que o governo do país visa o benefício de todos, é até alentador. Desconfiança é sempre boa, e a política funciona com base em esferas de confiança-desconfiança.

Parágrafo 5: O brasileiro é mais pessimista que os outros latino-americanos, e tem boas razões para isso. Mas não participa.

Parágrafo 6: Óbvio. O continente nunca teve pedigree blablabla.

Parágrafo 7: Dilma, Geraldo e Haddad (este, menos) estavam cientes de que seus governos (Geraldo, menos), mal votados, iriam cair de repente, por causa da recessão. Um novo partido é sempre esperança. Se alguém vota é bom.

Parágrafo 8: Toda política passa por períodos de indignação, e esta se traduz em partidos, quase sempre (menos os anarquistas).

Parágrafo 9: A erosão dos partidos brasileiros é balela. Seria verdade se ninguém tivesse votado em 2º turno. A falta de crédito deles é patente, por outro lado. Mas há muitos que acreditam em política e políticas.

Parágrafo 10: Os partidos nanicos não estão aí para permanecerem como tal. Isso é histórico.

Parágrafo 11: Seria bom que especificasse o que quer dizer por “sistema”. Ou é tendência? Ou é polarização? Desde que me conheço por interessado em política, discutem-se sistemas e tal. Nunca ninguém conseguiu PROVAR (cientificamente) nada.

Parágrafo 12: Se por sistema falamos de neoliberalismo, a situação complica. Em que os desafios ao atual sistema visam mudá-lo ou transformá-lo (nem que seja apenas em discurso)? Dilma segue o receituário dos que querem ordenar a economia.

Parágrafo 13: Meu Deus, sério?

Parágrafo 14: Sério? Isso é bom, então?

Parágrafo 15: Cite alguns, de 20 anos para cá.

Política virou mundo à parte? Como? Você tentou provar isso com o texto?

* * *

POLÍTICA VIROU MUNDO À PARTE (Clóvis Rossi)

A pesquisa Datafolha publicada nesta segunda-feira (9), sobre a baixíssima adesão aos partidos políticos, põe ciência numa antiga constatação empírica: o mundo político foi se transformando, paulatinamente, em um universo à parte, que gira em torno apenas de seus interesses, não do bem comum.

É até constrangedor usar "mundo político" e "bem comum" numa mesma frase. Tornaram-se antônimos.

O desamor aos partidos não é, diga-se, um fenômeno exclusivamente brasileiro nem algo recente.

O Latinobarômetro, a melhor medida do humor latino-americano, capta a desconfiança já faz alguns anos. No mais recente (2013, mas divulgado em 2014), a frase "o país é governado para o benefício de todos" era aprovada por menos de 30%, na média do subcontinente.

No Brasil, era pior: menos de 20% achavam que o bem comum estava na pauta dos governantes.

Tampouco é um fenômeno exclusivamente latino-americano. A rigor, é mundial.

No mesmo dia em que o Datafolha mostrava o tobogã para baixo em que mergulharam Dilma Rousseff, Geraldo Alckmin e Fernando Haddad, o jornal espanhol "El País" publicava pesquisa em que o partido mais votado é um certo Podemos.

O Podemos é filho do chamado movimento dos indignados, que sacudiu o país faz uns dois anos. Como os dois partidos que dominam a política espanhola desde a redemocratização, em 1977, não deram bola para os "indignados", estes criaram seu próprio partido.

Lá também os partidos tradicionais sofrem erosão idêntica à dos brasileiros: o conservador Partido Popular e o Partido Socialista Operário Espanhol tiveram, somados, 73% dos votos na mais recente eleição geral (2011). Agora, na pesquisa que o Podemos lidera, os dois juntos ficam com apenas 46%.

No Reino Unido, os partidos nanicos tiveram 6% dos votos na mais recente eleição geral (2010); agora, as pesquisas lhes dão quatro vezes mais (25%).

Para o colunista Antonio Navalón, do "El País", o mundo vive o fim de um sistema: "Se não se aceitar que estamos no fim de um sistema, não se pode entender nem [Alexis] Tsipras na Grécia nem o Podemos (...) nem as dificuldades –caso Petrobras, entre outras– que tem Dilma Rousseff no Brasil", escreve.

Navalón não deixa claro a que sistema se refere, mas parece óbvio que se trata do modelo econômico predominante no planeta, chamado neoliberal. Não deixa de ser curioso que as dificuldades de Dilma Rousseff entrem no rolo geral exatamente quando ela muda o rumo, do intervencionismo na economia para a mais tradicional ortodoxia.

Francamente, não sei se estamos mesmo na iminência do fim de um ciclo em matéria econômica. O capitalismo tem formidável capacidade de se reinventar.

Mas o mundo político, este sim, demonstra invencível incapacidade de se reinventar e voltar a ser (se é que o foi algum dia) um instrumento para o benefício de todos e não apenas de alguns.

Aí é que mora o perigo, pois fica aberto o campo para aventureiros, de que o Brasil, aliás, já foi vítima mais de uma vez (nomes a seu critério).

Clóvis Rossi é repórter especial e membro do Conselho Editorial da Folha, ganhador dos prêmios Maria Moors Cabot (EUA) e da Fundación por un Nuevo Periodismo Iberoamericano. É autor de obras como 'Enviado Especial: 25 Anos ao Redor do Mundo' e 'O Que é Jornalismo'. Escreve às terças, quintas, sextas e domingos.


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