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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Sobre antipatias

Qual a diferença entre uma pessoa antipática e uma pessoa chata? Há diferença? A pessoa antipática, aparentemente, tem essa característica como algo intrínseco. Algo que ela É. Uma pessoa chata como que não é chata até a medula. Ela pode se comportar como uma chata, ou não. Uma pessoa é chata, e como numa promoção, torna-se antipática. Será?


670px-Accept-Being-Shy-Step-1.jpg Imagine um rapaz que não consegue se conter, durante anos, por haver passado num curso muito concorrido. Imagine que esse rapaz, extremamente tímido, transforma essa alegria numa espécie de comportamento incontido. Como se pudesse tudo. Daí que ele trata as pessoas com arrogância, displicência e descuido. Torna-se um cara chato. Ou antipático.

Imagine agora que esse rapaz é escolhido como “o mais chato da turma”. Imagine que ninguém – muito menos ele – sabe como ele se sentiu na hora. Talvez tenha me sentido mal. Talvez tenha desconversado. Talvez tenha sentido uma queda abrupta em sua autoestima – como se achasse algo sobre ele que não era verdade. Ele passa anos sem se tocar, embora tenha se convencido de que aquilo não teve real importância. Era mentira. Esse bullying persegue esse rapaz por décadas.

O que é uma pessoa antipática? Formalmente falando, alguém por quem você não tem ou não consegue ter empatia. Não há aquela ligação, não há aquela conexão que permite a continuação da conversa, a manutenção do olhar, etc. Será? Ele foi escolhido o mais chato. Deveria ser antipático.

Qual a diferença entre uma pessoa antipática e uma pessoa chata? Há diferença? A pessoa antipática, aparentemente, tem essa característica como algo intrínseco. Algo que ela É. Uma pessoa chata como que não é chata até a medula. Ela pode se comportar como uma chata, ou não. Uma pessoa é chata, e como numa promoção, torna-se antipática. Será?

Há quem diga que os mais antipáticos de todos os povos são os franceses. Outros, que aqui no Brasil eles seriam os curitibanos. Ou que a timidez pioraria tudo. Para mim, não importa muito.

Nos poucos dias em que estive em Paris eu não senti tanta antipatia nesse povo cuja tradição ainda me causa tanta impressão – os franceses. Eles, tão ciosos por sua língua e passado, não gostam, claro, que você a eles se dirija em inglês. Eles desprezam quem não tem cultura.

Os franceses são polidos até a medula em sua educação, mas não hesitam em usar de escafandros civilizatórios para cutucar sua alma com farpas ultraeducadas cuja intenção é colocar o outro em seu verdadeiro lugar. Mas não posso me esquecer de que simples recepcionistas de cemitérios e de museus deram-me algumas das maiores mostras de simpatia em toda minha vida quando visitei o Père-Lachaise e o Panthéon.

Não tenho dados suficientes para discutir os antipáticos por origem, nem os tímidos. Mas posso lhes dizer algo que venho sentindo com o passar do tempo a respeito.

Estimo que o antipático ou antipática sempre tem, como base de seu comportamento, critérios de escolha muito particulares dos quais não quer, quase nunca, abrir mão. Não à toa, ao que parece, a timidez vem muitas vezes acompanhada da antipatia. O tímido tem seus critérios, e quase sempre tem uma dificuldade imensa em explicá-los – ou compartilhá-los.

Existem aqueles antipáticos agressivos – sempre a postos com alguma ironia ou sarcasmo. A esses, vale o que eu disse – com a peculiaridade de que esses antipáticos agressivos jogam seus critérios, perfeitamente trabalhados, contra os outros.

Existem os antipáticos sorumbáticos – que não saem da casca e que assumem comportamentos arredios porque não querem ser obrigados a fazer o que não querem fazer. Existem os antipáticos neutros – que fazem cara de paisagem sempre que se sentem incomodados. Os antipáticos não querem contato. Claro, existem os antipáticos (ou chatos) que não páram de falar – esses, ou ficam nervosos por qualquer motivo ou não se tocam mesmo. Esses, não são bem antipáticos – são chatos mesmo.

Por detrás de tudo isso, claro, sempre existem os critérios pelos quais as pessoas passam para rotular e conduzir suas próprias vidas. Uma pessoa com ares de grandeza, arrogante, não consegue ser simpática por essa própria característica. Uma pessoa que escolheu a via errada na vida não consegue aparentar simpatia diante de pessoas que seguiram vidas aparentemente corretas. Uma pessoa de má índole não consegue agradar pessoas corretas.

Mas todos nós passamos o tempo todo por privações. Ninguém pode-se considerar livre de estar errado – ou de fazer coisas erradas. As pessoas relacionam-se umas às outras, e aprendem ou desaprendem coisas nesses processos. Os tímidos por vezes saem das tocas. Os simpáticos defrontam-se com situações que desafiam seus perfis.

Kurt Cobain, o líder do Nirvana que aplicou um tiro de espingarda no rosto já bastante chapado com drogas, sempre dizia que faltava empatia no mundo. Que faltava contato, real contato. Eu tenho passado por experiências que têm provado essa questão.

Uma constatação que é possível tirar do caso pessoal e do alheio é que muitas vezes o que sentimos como desrespeito É MESMO desrespeito. Outra é que aparentemente não há nada de errado em ser especialmente sensível. O problema é não tomar uma atitude quando isso acontece. Ou seja, aparentar antipatia aparentemente é uma atitude, pura e simplesmente – e pode ser de defesa. E é preciso respeitá-la.

Já recusar-se a dar vazão a antipáticos ou chatos – aparentando antipatia, por exemplo – pode ser simplesmente proteger-se de consequências desagradáveis – piores a longo prazo, em muitos casos. Ou seja, por detrás de muitas ações podem só existir pessoa muito tímidas, irritadiças (posteriormente) ou convictas do que sentem.

Fato também é que quando essas pessoas conseguem criar condições para conviver com alguém – ou com amigos – nos termos do mútuo reconhecimento, muitas vezes passam a questionar a si mesmas e aos outros. Havendo respeito mútuo, as coisas podem começar a acontecer.

Não é um processo fácil. Uma pessoa “in process” sempre paga o preço pela divisão interna, que leva algum tempo para ser ultrapassada. Mas, quando isso é enfrentado com cara e coragem, muita antipatia, ou pretensa antipatia, pode ser, nos seus maiores traços, deixada para trás. E as dos outros, também.


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