o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A indelicadeza necessária do amor

No filme “A delicadeza do amor”, há um momento em que a heroína da história se fecha e resolve dedicar todas suas energias – ou aparentemente todas – ao trabalho. Arranja um serviço numa empresa em que o chefe se torna inapelavelmente apaixonado por ela – sem ela o querer –, concentra seu foco em trabalhos a fazer e simplesmente esquece. Algumas cenas depois, o filme acontece.


MV5BMTQ1NjQ4OTkyM15BMl5BanBnXkFtZTcwNzU3OTUxNw@@._V1._SX640_SY426_-600x399.jpgA quem não viu o filme, ela estava casada com um sujeito muito simpático, mas ele é atropelado e morre.

No filme “A delicadeza do amor”, que resenhei num texto meio transgressivo recentemente aqui, há um momento em que a heroína da história se fecha e resolve dedicar todas suas energias – ou aparentemente todas – ao trabalho. Arranja um serviço numa empresa em que o chefe se torna inapelavelmente apaixonado por ela – sem ela o querer –, concentra seu foco em trabalhos a fazer e simplesmente esquece. Algumas cenas depois, o filme acontece. A quem não sabe a que me refiro aqui, o luto do amor é terrível. Dizem que deveria durar alguns dias de morte no espírito. E quem vive ou morre isso há meses? Intermitentemente!

Venho percebendo nas últimas semanas que, se não houver instância superior à decisão de questões relacionadas a amor, seja lá que amor for (ágape, romântico, superior, entre parentes, etc.), que não for a sensibilidade, então amor é loucura. Completa. Ou idiotice.

Vivemos numa época pós-romântica sob todos os aspectos. Hoje falar em amor é quase falar em Papai Noel. Claro, as pessoas se amam, continuam e continuarão se amando, para sempre, mas o fato é que para quase todos nós vige (ou precisa vigir) uma frieza que deveria cuidar desses problemas.

Falamos de amor para alguém e ele nos diz que queremos tirar proveito, que achamos que as relações entre determinadas pessoas são mais importantes do que realmente são, que sempre aparece mais alguém, etc. É uma agonia tentar puxar papo sem descambar em clichês ou reducionismos rasteiros.

E olha que o Marião (Mário Bortolotto) lançará um livro sobre amor no dia 12 de março. Teatro Cemitério de Automóveis, Frei Caneca, 384. Não sei onde estamos com a cabeça. Ele e eu. Principalmente eu. São 5h47 da manhã e o dia começa. Ao longe, o horizonte sai da completa escuridão e aparece um quê meio arroxeado de “lá vem um novo dia”. Mas a noite foi de desespero.

De submissão completa a um sentimento de agonia –de novo a palavra – que perpassa uma relação que, se não acabou, ou se sequer começou, já deveria ter acabado faz tempo. Mas que deixou em suspenso uma amizade que, ao mesmo tempo que revoluciona, destrói os liames no interior de um cara indeciso que não sabe mais o que fazer da vida.

Pois sempre há aquele momento, ao que parece, em que é preciso destruir para melhor construir. Em que é preciso esquecer tudo o que foi – que não se esquece, vide o filme, que depois volta ao exato momento da morte do marido anterior – e andar para a frente. Bom, isso é óbvio. Claro, é óbvio. Mas a questão aqui está em focar a atenção em algo fora de qualquer relação e avançar. Simplesmente avançar. Tocar a vida.

Conversava com um amigo ontem, sobre o assunto, quando ele disse que a vida determinará se o que acontecerá será amor, paixão ou nada. Que não temos controle. Que acreditamos termos o controle. Que nada é certo. Que tudo está certo.

Vinte minutos se foram e agora o horizonte é de nuvens ou neblina. Ao longe, os prédios do bairro do Morumbi se destacam, enquanto atrás os embala um azul clarinho, clarinho, que nada significa. Mas as nuvens, mais próximas, parecem se aproximar, de um lado, e se afastar, de outro. Começo a ver claramente os limites entre as coisas e o dia amanhece relativamente bonito.

Quem me dera.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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