o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

João Kléber e o Amor

Só sei que, na hora, ouvi Beloved, do VNV Nation (live), e que chorei. Um pouco.


0,,11252631-EX,00.jpgInacreditável o que acabo de ver. Num programa de tv, uma garota declara seu amor ao primo, que a recusa. O primo aparece indo embora, cumprimentando o apresentador. Ela fica no palco, repetindo “eu te amo” ao léu. João Kléber aproxima-se, ela diz que vai lutar por seu amor, e o quadro acaba. Ele apenas pede que ela confirme que não irá machucar ninguém em sua luta. Ela assente.

Passei por isso. Como gostaria de lhes dizer que aprendi. Mas não sei se isso é verdade.

O amor é algo indefinível. Pelo menos é isso o que minha experiência atual me permite dizer. Existem diversas analogias possíveis para o amor. Mas é isso o que elas são, apenas: analogias.

Amar não é suprir carências. Pois eu tinha carências, e lutador como sempre fui, batalhei como pude para supri-las. Joguei sujo comigo e com ela, até. Claro que não poderia sair ganhando. Perdi para mim mesmo. Claro.

Amar não é saber conviver. A gente pode conviver bem com alguém por anos a fio e mesmo assim não amar tal pessoa. Para conviver são necessários pontos em comum, mas eles podem não criar nada no lugar. Pode parecer clichê, mas realmente para amar é necessário algo mais.

Quando a gente descobre que ama, tudo torna-se simultaneamente mais fácil e mais difícil. Mais fácil, porque tiramos de nossas costas o peso da dúvida. Mais difícil, porque ela pode não nos amar e, mesmo sabendo-o, cabe-nos a tarefa de ainda lutarmos por ela ou de pagarmos o preço por uma derrota por 1) ausência de capacidade ou 2) exaustão. Se o amor for correspondido, o medo é de perdê-lo. Vivemos então sob o contínuo peso de uma derrota anunciada. Claro que há quem diga que quem ama não teme.

Sempre haverá, nestes tempos individualistas, quem ache que para amar outro alguém melhor, antes de mais nada, é amar a si mesmo (um autor deste mesmo Obvious diz isso). Nada contra pensar assim. Mas quem já amou sabe que uma das coisas mais difíceis é, amando, separar o outro de si mesmo. A gente passa a ter a compulsão de se jogar na frente do carro para salvar a amada. É incrível, mas verdadeiro.

Uma noite, certa vez, fui dormir cedo. Com dores nas costas. Não ouvi o celular apitando. De manhã, soube que uma pessoa amada passara por problemas. Li a palavra maldita da urgência. Não consigo expressar o que senti na hora – pavor, grito, não sei. Liguei para essa pessoa a seguir, conversamos e soube que tudo havia se resolvido bem.

Quem ama, perdoa. E só por isso não me afetei ao ver essa pessoa brincar com a situação. Mas lhe disse várias vezes para evitar problemas posteriores. Essa pessoa amada disse que iria providenciar.

Saber-se inútil quando mais nossa ajuda é necessária é algo apavorante. Constatar que não estávamos alerta quando essa pessoa pedia nossa ajuda é uma vergonha tão massacrante que nem existe palavra para ela.

Não sei como terminar isto aqui. Só sei que, na hora, ouvi Beloved, do VNV Nation (live), e que chorei. Um pouco.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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