o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Minhas viagens no Twitter - e como perceber é ser percebido

E por aí verifiquei o que realmente me atraíam nos carros antigos, e por que quase só os antigos. E por que os novos me atraem por outro motivo.


18l.jpg.2000x2000_q85_autocrop.jpgDepois que eu reduzi meu twitter ao osso, e reparei o quão bem isso me fazia, comecei a praticar o esporte de aceitar as twittadas de alguém só para ver o que vinha por aí.

Das várias vezes que cometi o inusitado, me arrependi. Os twitts de uma garota que eu não conhecia levaram-me de volta àquela época em que eu só queria fazer parte de tudo.

Os twitts de uma atriz conhecida trouxeram-me o mundo real, os cortes de orçamento e tudo o mais que só me fazem ficar ainda mais macambúzio do que originalmente sou.

De vez em quando aparecem post de patrocinadores, que eu deleto imediatamente, sem ler. Já os posts de meus amigos de twitter (4, apenas) eu vejo de vez em quando. Quando são links de youtube, quase sempre não me animam muito a continuar na tarefa.

A depuração do Twitter foi me revelada pelo exemplo de um conhecido. Pela sua discrição e pela simplicidade da coisa. É interessante cavoucar em nós mesmos, e revelar algo nas entrelinhas a quem realmente pode se interessar.

Mas o Twitter não é isso. É um dos principais meios dos jornalistas. É um dos principais meios de fofocas. É uma das principais fontes de bobagens. E de furos noticiosos.

Cada um faz o que quiser do Twitter, claro. Quando nele entrei, queria ampliar meus contatos profissionais. Os perfis dos outros não me animaram quase nunca. Depois quis me informar com instituições, empresas e tudo mais. Nunca vi um twitt sequer dessas fontes.

Ficou morgando então, o meu Twitter, por meses a fio. Até o momento em que me animei a tirar quase tudo e a postar algo que realmente dissesse respeito a alguma coisa que eu quisesse expressar.

Daí que reentrei sem querer no Pinterest e comecei a cavar. E encontrei algumas coisas que me motivaram. Mas até lá, quanta coisa a gente TEM A IMPRESSÃO de que REALMENTE nos motiva? A gente precisa PASSAR POR ESSE MURO.

Quando a gente o ultrapassa, precisa então deixar de ser idiota e achar que compartilhar é dizer o que gostaríamos de fazer – viajar para Veneza, por exemplo. Claro, todos os posts desse tipo servem apenas para alimentar bases de dados que o Pinterest negocia com empresas de turismo para ganhar em cima. Deve ser esse o foco, não?

Mas aí a gente deixa de ser fresco ou exibido e, após decupar TODOS os twitteiros em potencial, descobre que podemos nos descobrir com os posts que colocamos. Creio na verdade que a maioria das redes sociais funciona mais para isso mesmo: para nos espelharmos e nos descobrirmos na medida dos outros. Ocorre que na maioria das vezes o resultado parece ser o oposto.

Vou dizer que estou vendo essa minha conexão com o Pinterest, que trabalha com imagens, que eu espalho por meus 4 amigos de Twitter. No começo, eu havia colocado um mustang. Que me remete a um Mach1, versão dos anos 70, que eu admirava na esquina do quarteirão de nossa casa em Las Condes. Era branco, aquele.

Pus um Mustang qualquer. Como coisas para comprar – categoria pré-existente. Não me convenceu. Pareceu tão fraquinho.

Depois vi que o que eu queria mesmo colocar era um Mach1. Pus alguns. Mudei a categoria. Como Belezas. Mas não me convenceu também. Daí vi que o que eu queria era de detalhes do Mach1. Alguns que puxassem minha admiração. Algo que realmente ficou. Não achei detalhes. Fiquei a ver navios.

Mas vi detalhes do primeiro carro da família, um 2 cv. Aí recomecei o retorno ao passado. E por aí verifiquei o que realmente me atraíam nos carros antigos, e por que quase só os antigos. E por que os novos me atraem por outro motivo.

Essa viagem, acreditem vocês, ampliou algo em mim. A facilidade com que achei fotos e com que determinei que NÃO ERA AQUILO o que me atraía realmente foi equivalente àqueles momentos em filmes em que o personagem encontra fotos guardadas em um baú e descobre coisas a respeito dele mesmo ou de alguém da família ou de alguma forma importante para ele.

Outra viagem experimentada teve a ver com lugares que já visitei, sozinho ou acompanhado. O mais relevante deles foi Machu Pichu, que realmente me surpreendeu mas que não me tornou necessariamente um chato – acho. A primeira vontade foi coloca-lo na capa do Pinterest em lugares visitados ou a visitar. Ok.

Ocorre que as fotos de Machu Pichu são bastante populares e de certa forma clichês. Vocês não têm como saber, mas o caminho até lá, DE ÔNIBUS, é de deixar impressão indelével por ocorrer num zigue-zague no meio da montanha e ser acompanhado por garotos que fazem acrobacias para pegar um dinheirinho. Disso não há fotos no Pinterest.

Isso já mostra como existe espaço para nós mesmos no Pinterest, por exemplo, e para desenvolvermos nossa sensibilidade de forma que – mostrarei – pode ser inusitada e até mesmo gerar negócios possíveis. Sim, negócios.

Depois de passar por fotos de Machu Pichu, Miraflores (bairro de Lima), artesanatos peruanos, que são lindos demais, e dos quais tenho alguns, acabei entendendo que precisava encontrar livros, sim, livros ou autores.

Foi óbvio reparar que existem muitas frases com artes bastante belas e estilosas no Pinterest. Algumas delas atraem por si só. Outras requerem algum trabalho. Interessante verificar também que as frases nesse site estão geralmente em inglês ou espanhol, no caso das línguas mais próximas ao português.

Acontece que as frases dispostas ali no Pinterest não me dizem tanto respeito assim. Por um motivo claro: a maioria delas são apenas as mais conhecidas de figuras que dispensam apresentações. Eu mesmo conheço muitas frases de gente que, digamos, “não existe” publicamente ou frases menos conhecidas de gente que “existe” que pode ter mais a ver com minha sensibilidade do que qualquer coisa que exista na rede. E é nisso que estou, hoje.

Começo a colocar frases de minhas próprias peças misturadas com telas de artistas com élan suficiente para chamar a energia que a vida e a morte exigem. E isso num lugar especial, só meu, mas respeitando as regras do SEO (Search Engine Optimization). Haverá lugar para tudo isso? Não é possível saber.

Mas a vida me é pesada demais. E para trazer leveza nada melhor que o menor. A textura, o microcosmos, aquilo que desaparece ao piscar dos olhos. O olhar que some. O sorriso que dói. A risada que geme. A textura do que é, no fundo, a ciência.

Procuro e acho coisas lindas. Na moda e arquitetura. Em pisos e lajotas. Em pastilhas e penas de aves. No couro de animais extintos. Na superficialidade intensa da alma de quem olha. Mas algo me torna incapacitado de curtir o que vejo. Pois o meu mundo busca outra superfície.

Tiro fotos de coisas a metros de mim. Superfícies nuas, sem proteção nem luz adequada. Com animais andando. Insetos voando. Toalhas amarfanhadas de tão usadas. Amores escondidos no tênue respaldar da vida. E fotografo. Do meu jeito. Com quase nada. Por quase tudo. É o meu ponto de vista. Visitar a lua numa panela de teflon com tapioca recém-feita e parte queimada. Avistar o abismo do mar nas bolhas de Limpol numa frigideira fodida com restos de ovo e fígado em pedaços com o verde acelga quase crua.


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