o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Para onde vão as estrelas pornô?

Saiu recentemente num site que as mulheres estariam buscando, nos filmes pornô, uma espécie de delicadeza perdida. Não que os filmes, toscos como são, necessariamente desagradem; a questão seria mais que, do jeito que são feitos, eles parecem mecânicos e não acrescentariam nada ao sexo feito fora dos filmes. Ou seja, aquele sexo meio sujo dos filmes estaria démodé e não conseguiria alcançar seu objetivo – aguçar aqueles que os assistem.


sasha-grey-7328.jpgCoincidência ou não, passaram alguns dias desde essa notícia e fiquei sabendo que haveria empresários investindo em filmes de sexo explícito menos toscos, mais trabalhados, com mais sensualidade, novidades e bom gosto. Não sei. Nunca mais ouvi falar a respeito.

Mas as estrelas pornô parecem que andam muito bem, obrigado. Será?

A última grande das grandes que passou por aqui foi a esperta Sasha Grey. Pois a californiana Marina Ann Hantzis, ao adotar o nome de Sasha Grey, já queria causar sensação. Sasha, para começar, vem de Sascha Konietzko, do KMFDM (a primeira banda de rock industrial alemã), e Grey, aparentemente de Dorian Grey, o livro de Oscar Wilde (mas isso é mentira, pois a própria Sasha desmente, dizendo que Grey vem da escala Grey (cinza) de sexualidade do Dr. Kinsey). Ou seja, já começou sob polêmica.

Sasha nunca desmentiu que sua intenção sempre foi a de causar. Pois, com rosto bem talhado, narizinho convidativo, e corpo mais ou menos (só a bunda mesmo ressalta), Sasha decidiu, já aos 18 anos recém-completados, marcar presença. Com o máximo do máximo.

Já no primeiro vídeo, a lenda diz que ela pediu ao Rocco Siffredi socá-la no estômago. Isso era até o momento inédito. Depois fez de tudo a que parecia ter direito. Ganhou muitos prêmios com performances que ficaram para história (melhor oral, melhor ménage à trois, melhor sexo grupal, melhor performer, melhor sexo anal, crossover, etc.), virou atriz, digamos, séria, lançou um livro, fez campanha contra morte de animais e até deu palestra para crianças pequenas, defendendo sua postura. Hoje, com 27 anos, está aposentada (saiu do ramo em 2011, com 23 anos). É conhecida por sua postura desavergonhada e lúcida.

Mas é interessante que nesse meio não é a presença de uma Sasha que normalmente dá as cartas. Muitas outras garotas fazem sucesso nesse meio, e algumas também fazem carreira em outras áreas. Como a grandiosa Sara Jay, conhecidíssima por seu traseiro e peitos avantajados, que além de tudo é escritora de livros pornôs. Sara faz, nesse meio, mais o gênero tradicional de mulher gostosa disposta a tudo e de comportamento desavergonhado.

Pergunto-me se isso faz hoje alguma diferença diante do comportamento das garotas que vemos por aí. Pois, se uma Sasha Grey parece de alguma forma desafiar o comportamento recatado e hipócrita de uma sociedade que (ainda) dificulta as profissionais de viverem do sexo pago (de alguma forma), uma Sara apenas confirma a imagem de mulher-objeto, sem se opor, ao menos aparentemente, a nenhum dos valores da sociedade, altamente masculinizada.

E outra: pode haver maior desafio à sociedade do que garotas de classe média que fazem programas simplesmente para manterem um estilo de vida? Sasha Grey entrou no mercado para arrasar com padrões; Sara Jay aproveita-se do mercado para achar seu lugar; as garotas que fazem programas em festas, com ou sem a ajuda de amigas, nem querem isso. Simplesmente encaram o sexo como uma armadilha para os caras que acham que sexo pode ainda significar alguma coisa.

Houve uma época em que as estrelas pornô faziam sexo com animais. Hoje, com a proteção dada a eles (a eles), nem isso mais é muito divulgado (quem sabe na deep web). Tudo, aparentemente, é feito sem dificuldade por todas as carnes novas que aparecem nos vídeos.

Violência não pega mais muito bem. Engolir quase todas fazem. Algumas até opinam como é isso ou aquilo. Gargantas profundas são mais comuns do que carne de vaca. Beleza não necessariamente faz tanta diferença assim. Anal, vaginal e anal, vaginal, anal e oral, sexo com 5, 6 ou 7, ou muitos sequer conseguem mais comover quem simplesmente tecla por experiências na internet. Tudo parece ter se tornado tão banal que nada faz diferença. Qual o próximo passo? Haverá próximo passo?

Comecei este artigo falando do passo para trás que pode representar o pornográfico com maior delicadeza. Pode ser uma saída. O sexo em geral, por sua vez, já nem consegue dar espaço para putarias que façam jus ao nome. Qual o espaço para garotas e caras que querem viver de se darem uns aos outros em nome de uma arte discutível? Quase nenhum. Ou seja, quanto mais evoluímos mais surgem os idiotas que insistem em valores morais defasados, os políticos que querem seus votos e, por outro lado, práticas sexuais cada vez mais libertárias que levam os jovens a uma perda de controle altamente manipulável. Nesse contexto, aqueles que defendem a liberdade – ridículo falar isso, mas é o fato – ficam parecendo peixes fora do aquário.

Mercado estranho.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/recortes// @destaque, @obvious //Contreraman
Site Meter