o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quando a coisa fica séria

Há um momento na vida de qualquer pessoa em que a coisa se torna séria. Em que acabam as palavras e é preciso olhar para si.
Mas muitas pessoas passam a vida toda procurando e esquecem desse momento. Creio – digo que creio – que esse momento ocorre quando nos defrontamos com o que é superior.


Act_of_Contrition_Screen_Shot_LB.jpgTalvez todas as religiões busquem, no fim das contas, lembrar o homem de que isso um dia acontece. E de que, apesar de tudo, ele tem salvação. Ou seja, dar-lhe um certo alívio – e escolha.

A Filosofia já parece desconsiderar esse tipo de função. Ela está – parece – mais a fim de jogar o homem contra a parede e mostrar-lhe simplesmente a verdade.

Não considero, assim, que a busca da ataraxia – imperturbabilidade ou serenidade da alma – pelos gregos tenha como função mostrar esse momento ao homem e de dizer-que há saída, salvação.

A ataraxia surge mais como uma decupação. Até porque, depois de chegar à ataraxia, é como se não houvesse mais escolha. Chegou, pronto.

O momento em que a coisa se tornou séria tem a ver, no meu caso, hoje, com uma aparente limitação interna – que se traduz em comportamento – e externa – no relacionamento com as pessoas de forma geral, e algumas em particular.

Tanto que eu me comprometi a mudar – sem promessa de alcançar qualquer objetivo concreto. Mudar por mudar. Por acreditar na mudança. Mas logo quase recaio na mesma burrice.

Ou seja, chegamos ao limite. A mais um momento em que nada pareceria adiantar – ao menos mantendo tudo da mesma forma. Em que – parece – as convicções mais íntimas estão sendo questionadas – mas decidiu-se mudar.

Nesse momento, não adiantaria falar nada para o outro. Nem para si mesmo. Daí – quem sabe – a contrição. “Arrependimento ou dor profunda de ter ofendido a Deus, com firme propósito de não mais pecar/ Arrependimento, pesar, pena” (Michaelis). Percebo que minha reflexão vai na direção correta.

Um detalhe importante, a meu ver, é “ter ofendido a Deus”. Pois, quando a pessoa parece disposta a mudar por algo externo, esperando um consolo vindo de quem quer que seja, não parece realmente estar fazendo algo sério – para si e principalmente para o outro. Pois, nesse caso, parece que ela (ainda) não acredita.

Já mudar partindo desse tipo de ofensa e “com firme propósito” parece ser algo maior. A ofensa “a Deus” mostra claramente a superioridade da situação.

É curioso que as penas para crimes partam de dois pontos conectados: 1) separar o criminoso do convívio para proteção da sociedade, e 2) dar-lhe a chance da reclusão e recuperação.

Ocorre que o criminoso é separado à força. E o contrito se separa porque quer. Se o criminoso, que é separado à força, não entender a oportunidade que tem, jamais irá se recuperar. Se o contrito não aproveitar a opção que ainda tem, o mesmo acontecerá.

Pois a contrição envolve – também – essa separação. Mas (o que é interessante) um tipo de separação realmente espontâneo – mesmo que essa separação tenha sido motivada por algo externo. Pois O ATO da separação, E SUA VONTADE, são, no limite, internos. E é preciso maturidade para chegar a esse ponto.

Venho passando por algo assim. E sei que muitas outras pessoas também. Esse tipo de evento faz parte do destino de qualquer ser humano. Sei até que, alguém (que não conheço), se ler isto, quem sabe possa até começar a sentir o que acontece. Mas isso não é comigo.

Descubro então que num certo momento da vida não é mais possível fugir. Que é preciso se isolar. Que é preciso inferir. Que a vontade precisa ser inabalável. Que é preciso mudar. Não por si. Por Deus.

Próximo passo: descobrir o que é “ofender a Deus”. Sob um ponto de vista alheio a qualquer doutrina.

PS: Estou fazendo outro artigo, repleto de citações religiosas e filosóficas. Tem a ver com humildade.=


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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