o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quem liga para as regras de Bannen?

No caso de Bannen, é triste que isso aconteça.


bannen.jpgOs gringos arranjam “n” formas de criar e vender filmes de formação (Building Movies). Por essa denominação quero dizer o equivalente, em filmes, a esses chamados de romances de formação (Building Roman), como os do Goethe, Dickens, Tom Jones, ou mesmo Joyce ou Musil. Desta vez, o resultado é inusitado – embora também conservador (e algo de errado nisto?).

Tudo faz crer que o filme “As regras de Bannen” é uma trama rasteira - que me atraiu - da vida de um marginal cheio de pose. Uma espécie de descrição, mais up-to-date, de um mundo fora do normal. Como “Acossado”, de Godard, que passa à história por outro mérito, mais formal (a montagem, por exemplo).

Mas, voltando ao filme, não é isso – não é uma descrição, pura e simples. Sim, os primeiros minutos são assustadores, avassoladoramente rápidos, numa linguagem de vídeo bem montada. Mas todos sabemos que isso cansa. E daí que, com o passar do tempo, reparamos em que o Bannen do título (um ator com jeito semelhante ao Guizé na vida real) está numa enrascada. Várias. Mas mais: ele está em questão. Ou seja, seus valores, suas saídas, etc. Em suma: o tema é ele. O sujeito. Sua trajetória. Algo de emblemático que ele traz à tona.

Não sei se concomitantemente, mas em algum momento aquilo que chamava a atenção pela graça machista de encarar o mundo de repente transforma-se num duelo de caras feias, de medo, seduções que não convencer, etc. Tudo que não causa a menor empatia. Isso é frequente, claro. A maioria dos filmes medianos que vejo peca nisso: em manter o interesse aceso. Criá-lo já não é propriamente fácil. Mas manter a chama é o que há.

No caso de Bannen, é triste que isso aconteça. Afinal, tínhamos um bom personagem a explorar – embora as saídas normalmente sejam esmaecê-lo ou torná-lo pior, com riscos em ambos os lados. Aconteceu que seus partners começaram a parecer vilões de gibis – o que já era de uma leveza engraçada –que aos poucos começavam a lutar contra si mesmos. Queriam revelar profundidade não era necessária? Sei lá. Mas isso tirou toda a graça da bagaça. Deixou de haver cuidado com as interpretações e com aquilo que o diretor poderia achar necessário. A graça foi morta matadamente.

O tempo passou e nada era revelado. As caras feias, os tiros de festim, as gostosas pouco gostosas, tudo passou a revelar, nas entrelinhas, o problema de Bannen, algo quase terapêutico. Chato, isso. Claro que dessa forma os vilões, cada um por vez, iriam assumir papel determinante no desenrolar da coisa toda. Puta merda, que coisa sem graça. O fim: uma reviravolta facilmente prevista. Eu, por outro lado, agradeci com efusão: fim.

Ah, sim, as regras: hm, máximas aparentemente engraçadas que só agradam a quem precisa delas.

Versão anterior: http://cinema.rcontrera.com.br/2014/08/as-regras-de-bannen-dir-jesse-warren.html


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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