o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Voa!!!!

Por Priscila Vidal, 10/03/2015


135717_Papel-de-Parede-Na-praia_1440x900.jpgTenho uma amiga, de uns vinte e tantos anos, que conheci na cidade onde moramos grande parte de nossa infância, Ubatuba, litoral Norte de São Paulo.

A gente se via de vez em quando, ao acaso. Certa vez, nos falamos em uma balada open bar, no meio do mar, jovens apaixonadas pela vida, com ânsia de amar, amar a tudo, tudo, amar a todos.

Eu, digamos, conheci bastante gente, mais intimamente. Minha amiga, que naquela época estava começando a vibrar na mesma sintonia que eu, estava por lá, em algum lugar.

Ubatuba, uma cidade pequena, digo perto de São Paulo, onde a história foi continuar.

Balada open bar, é para beber né? Assim eu pensava na época, dos meus vinte e tantos anos. Hoje eu tenho 28, minha amiga deve ter , acho, uns 27 ou a mesma idade, não me lembro. Só vejo a idade das pessoas pelo primeiro número, sei que tem (2)vinte e alguma coisa. Meus pais (5)cinquenta e alguma coisa. Tento economizar espaço no cérebro.

Essa minha amiga me encontrou na saída da escuna, por volta das 7 da manhã. Trocamos algumas palavras bem tortas, não me lembro bem.

Depois disso, mantínhamos contato por redes sociais. Um dia havia lido que ela tinha se mudado para São Paulo. Uau, eu nunca havia pensado em morar em São Paulo! Também, pelo que eu via na televisão, dava medo, parecia um campo de batalha olhando daquele lado, sem tirar os moradores de rua usuários de crack, que são tratados como lixo humano pela sociedade. Violência, acidentes, mortes, mortes, mortes. Hoje não abandono mais as ruas de São Paulo.

Passou tempo. Eu estava me separando de um relacionamento, que, se contadas, dariam umas 500 idas e vindas. Um relacionamento em que aprendi muito – foi muito bem vivido. Aconteceu que todo o amor que existiu eu transformei em vontade de ir embora daquela cidade, porque a separação, no meu caso, ou no seu, ou só no meu mesmo, era um aviso: vai voar, voa, voa bem alto! E vim para São Paulo, onde reencontrei minha amiga.

Eu estava com o coração partido. Precisava preencher com álcool, drogas e também Rock’n Roll.

Ela trabalhava em uma rádio, e com ela frequentei diversos shows de Rock. Algumas bandas eu conhecia, de outras não tinha ouvido falar, e outras passei a conhecer. Curto Rock, digamos.

Barzinhos, tudo de maravilhoso, música ao vivo, encontros casuais, e estava me recuperando bem até. Fiz alguns amigos. Daquele tempo, restou só ela mesma e outros colegas da vida – esses que de vez em quando também aparecem, esses que oscilam conforme você vibra, num vai e vem... Sempre desconfio desses, mas na boa, sem neurose, foram programados assim e permaneceram. Minha amiga iria falar "pára de cuidar da vida dos outros", eu não diria cuidar, mas me preocupar. Não sei, eu tenho uma mania de me importar.

Eu me importo. Me importo se as pessoas não buscam, ou não são estimuladas a outros tipos de vontades, desejos, sonhos! Eu me importo porque isso me afeta de certa forma. E acho que ela e meio mundo pensam assim. Ela também diria para eu parar de querer ser como aquela música do Cazuza, ‘’o menino que queria mudar o mundo’’, e sempre grifa, não, você não vai conseguir.

OK. Mas me afeta, tudo me afeta, te afeta, e nos afeta. Depois de alguns meses, morando na mesma casa, nós brigamos. Foi doloroso, foi estranho, foi cruel, foi necessário.

Éramos unha e carne, mas muita coisa aconteceu. Minhas loucuras, que eram muitas vezes grandes ‘’inconsequências consequentes’’, dá para entender? Um absurdo necessário. Eu sou um ser que faz a cagada para a coisa voltar a funcionar – a bela cagada, porque tem uma boa consequência de certa forma.

Aprendi o valor do perdão. Eu pedi perdão de algo que até hoje não sei bem o que foi. O que teria acontecido? Ainda quero conversar com ela sobre isso, ou melhor, para quê? Pois logo depois nos afastamos de novo. Ela me afeta, minha amiga me afeta, me preocupo, quero saber da vida dela.

Que idiota! Que obsessão! Que doente! Que carente! Sou, sou tanto amor que preciso ser tudo, saudavelmente e verdadeiramente belo. Como o cravo e a rosa.

Copyright, 2015, Priscila Vidal


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