o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Foda-se a crítica OU Por que ainda insisto em criticar

Esta semana (hoje é 9/4/15), no Rio de Janeiro, ocorre o III Encontro da Questão de Crítica, site e revista virtuais de críticos de teatro. Não fui, estou sem grana e tempo.


beckett4.jpgSobre crítica de teatro, é legal indicar como tem gente que antipatiza com ela.

Contarei umas histórias.

Eu faço parte do Cemitério de Automóveis, grupo underground paulistano cujo diretor e autor é o Mário Bortolotto. Não escondo que a primeira vez que conversei com ele ele devia estar bêbado. Ocorre que antes ele havia publicado, acho que em blog, que eu não entendia nada do que dizia. Por quê? Porque eu publicava textos sobre as peças que eu assistia.

Anos passaram-se e entendi alguma coisa sobre o que acontecia. O Mário não gosta de críticas. Muitos amigos próximos também. Ele argumenta dizendo que não entende o que permite ao crítico supor que sua opinião (do crítico) vale mais do que a opinião de qualquer outra pessoa.

Um amigo do entorno que também critica a crítica (pelo menos sob uns moldes específicos) é o Roberto Alvim, diretor do Club Noir. Ele diz que ninguém mais precisa de ninguém afirmando que aquilo é bom ou ruim. Isso para ele parece algo pueril.

Sempre que alguém cita alguma revista que teria publicado críticas de peso refere-se aos Cadernos de Teatro, de O Tablado (otablado.com.br), que podem ser, em alguma parte, lidos de graça, após o download.

Ocorre que vi os primeiros, aliás, vários deles, e publicavam na época textos estrangeiros ou estudos de gente de primeira. Ainda hoje alguns desses textos não foram superados.

Os jornais mal dão espaço para críticas de teatro, quando estas disso podem ser chamadas, e textos mais aprofundados em geral são muito chatos. Além do que parecem não acrescentar muito. Mas, claro, há exceções.

Essas exceções podem até trazer alguma luz a quem gosta de refletir, mais do que de fazer teatro. Mas elas se sustentam em princípios que muitas vezes parecem fora do lugar, ou seja, fora do teatro, da prática, daqueles que fazem e sabem (ou não) fazer.

Daí que os dramaturgos em geral parecem não ligar para as críticas, os críticos parecem dar as costas aos práticos (refiro-me a todos os que botam a mão na massa e a cara para bater), e o público continua mal-informado e adepto de teatro em geral de má qualidade, focados em repetições de clichês, preconceitos e fórmulas ultrapassadas.

Claro, quanto mais a gente se dedica a alguma coisa, qualquer uma, mais percebe o quão pouco sabe. Ocorre também que com o tempo formam-se laços de amizade, e por isso (também) sair por aí dizendo merda ou opinião mal-concebida pode causar incômodos e conflitos desnecessários (além de fechar portas).

Mas (agora falo de mim) eu ainda tenho tendência a criticar. Não sei por quê (sei, na verdade: por minha formação em Filosofia e Jornalismo), eu ainda acho que o argumento pode ser uma boa forma de nos aproximarmos de algo novo. No aspecto criativo, porém, não acredito muito nisso. Pois a criação, com o tempo a gente percebe, não sai muitas vezes da razão. Nem da emoção. Sai de lugares estranhos.

Mas sob o prisma do entendimento, ainda creio que refletindo podemos chegar a algum lugar. Ocorre que a distância entre criadores e críticos atrapalha – e muito. Sinto-me quase um marginal ao tentar transitar em ambos âmbitos. Os primeiros podem me considerar um fresco. Os segundos, um despreparado. É curioso.

Engraçado é que todos parecem mesmo assim conviver em paz. Mas cada um em seu canto. Com uma particularidade: os primeiros, quando querem saber nossa opinião, querem saber se gostamos ou não, sem argumentos. E os outros, querem argumentos sem saber se gostamos ou não.

Engraçado.


Contreraman

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