o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A única questão é jogar a toalha ou afiar ainda mais nossas armas

Vivemos numa sociedade que valoriza a imagem e o exemplo do forte. Aquele que supera as dificuldades e se torna alguém melhor por mérito próprio. Por vezes, achamos que forte é aquele que não desiste. E outras vezes achamos que forte é aquele que nunca abandona seu ideal.


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Numa sociedade consumista como a nossa, forte é às vezes quem resiste. Numa sociedade autoritária, forte às vezes é quem não nos impõe sua autoridade. Numa sociedade sexualizada como a nossa (o Carnaval tá aí), muitas vezes forte é quem mantém seus compromissos e não se deixa vencer pelas tentações. Numa sociedade vulgar como a nossa, em que os ídolos parecem retirados de histórias em quadrinhos, forte às vezes é apostar na qualidade e em valores maiores.

Um grupo de que faço parte vai fechar seu teatro. Os custos exorbitantes e as multas por excessos que muitas vezes nem existem obrigaram os sócios a encerrar as portas. Alguém pode achar que isso é jogar a toalha, desistir de tudo, render-se. Não é.

Esse teatro sempre apostou numa visão particular da atividade e da sociedade da qual ele não arreda pé. Para o Cemitério de Automóveis, vivemos numa sociedade hipócrita, conduzida por poderes que se retroalimentam em sua autoperpetuação para reproduzir modelos de vida que conduzem os seres humanos a um estado mutilante de infelicidade, que não aceita os que não acreditam nela, e que os destrói pouco a pouco tão logo estes percebem que a felicidade pode estar no mísero instante.

O diretor do Cemitério, o Marião (Mário Bortolotto), optou por seu teatro, seu grupo e sua dramaturgia bem cedo e nunca desistiu disso, apesar de ter passado fome, incompreensão, sarcasmo e até três tiros, num assalto que o tornou célebre e que quase o mata (o que é uma grande ironia, como podem perceber). Ao fechar as portas do seu teatro, o Marião, que tem alguns sócios de longa e não tão longa data, pode, para muitos, estar jogando a toalha, como um Rocky Balboa que não faz jus a sua imagem de mito. Mas não é isso.

Desde o começo do teatro mundial, com Téspis, na Grécia, existiram aqueles que apostavam em suas bandeiras até a morte. Praticamente todos os mitos que surgiram no meio (Stanislavski, Grotowski, Artaud, Craig, etc.) e que perduram até hoje foram profissionais desse tipo. A sociedade sempre tentou massacrá-los. Viraram mito.

São mito.

E o que a juventude sempre quer, a não ser fazer companhia ao seu mito, e seguir os seus passos?


Contreraman

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