o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Coração fechado não ama e nunca irá amar

Regra geral, essas pessoas são fracas, indivíduos com mentalidade opaca que, a partir de experiências passadas ou ideais distorcidos, não se dispõem a abrir o coração seja lá para quem for.


untitled.pngOs filmes falam muitas vezes de corpos fechados. Aqueles serem que parecem invulneráveis, impenetráveis, jamais ameaçados seja lá pelo que for.

Em termos amorosos, um análogo a esses seres incríveis, mas desta vez em seres nada incríveis, muito ao contrário, são as pessoas de coração fechado.

Regra geral, essas pessoas são fracas, indivíduos com mentalidade opaca que, a partir de experiências passadas ou ideais distorcidos, não se dispõem a abrir o coração seja lá para quem for. Esse tipo de pessoa não se comove sequer com os maiores sacrifícios que receba de quem o/a ame, porque no fundo se acha superior - sendo infinitamente inferior - e considera que tudo o que recebe ele/a o/a merece, mesmo se nada fizer antes ou depois.

Claro que esse tipo de pessoa de coração fechado jamais está satisfeito. Recrimina aqueles que o/a agradam, exige satisfação por coisas mínimas, aumentando-as, como se fossem imperdoáveis, liga no meio da noite sugerindo que pode, e assim vai. Esse tipo de pessoa não quer amar. Pois, no fundo, esse tipo de gente não está impedida de dar ou receber amor - simplesmente não quer - e por um motivo torpe: vingança.

Como muitas vezes quem fecha o coração não foi no passado atendido/a em algum desejo como um amor escondido ou um retorno por parte de algum ente querido, essa pessoa de coração fechado decide achar tudo uma merda e os outros, responsáveis por ela. Esse tipo de gente nunca está satisfeita, sempre quer algo mais, e nunca agradece por aquilo que recebe, mesmo e principalmente se dado de bom grado e de graça.

Ao contrário, esse tipo de gente até negocia, quando precisa pagar por aquilo que recebeu, e tenta enganar aquele/a que só quis agradá-lo/a. Quem fecha o coração torna-se então uma pessoa medíocre e canhestra, que tenta desesperadamente passar a impressão oposta, bancando o/a bonzinho/a com vizinhos e crianças, quando na verdade tem um grande medo lá atrás: que é o medo de não ser amado/a. A grande desgraça de quem fecha o coração é que, por ser tão medíocre e medroso/a, ele próprio é que alimenta esse medo, tornando-se, para quem o/a conhece bem, uma fonte de infelicidade. Quem não ama, assim, é sempre covarde.

Claro que quem fecha o coração até consegue amar uma ou outra pessoa: mas só na medida em que essa pessoa se SUBMETE a seu amor. Nunca porque essa pessoa ama de antemão, sem o beneplácito de quem opta por fechar seu coração. Tudo, em quem fecha o coração, é autoridade. Ele/a só aceita ser amado por quem quer, do jeito que quer, porque tem medo. No fundo, quem fecha o coração costuma ser uma pessoa abjeta, ridícula, que com base em seu medo fecha as portas de quem abre os próprios corações a ele/a.

Quem fecha o coração sabe que com isso morre aos poucos. Por isso, até cogita abri-lo de vez em quando. Mas o faz, diante daquele que o/a ama, como se fosse uma espécie de dádiva: vou te dar uma chance. Quando quem ama sabe que não se dá uma chance ao se amar: simplesmente se abre tudo para dar infinitamente, e quem sabe receber em troca. Aquele que diz que ama aos pouquinhos, como uma dádiva, não ama verdadeiramente: na verdade, negocia um amor que não está aberto a comércio.

O medo dessa pessoa de coração fechado faz aos poucos com que a outra pessoa se convença de que convive com uma pessoa mesquinha, que não sabe o que quer, e que por isso prefere se dar aos poucos a se dar inteiro/a. O medo faz com que qualquer pessoa de amplitude se torne um ser indescritivelmente feio, capenga, que parece esmolar por aquilo que ele/a próprio/a não quer de forma alguma oferecer.

Nada comove a pessoa de coração fechado. Para ela, o sacrifício do outro é uma bobagem sem tamanho que não tem justificativa, e isso é assim entendido porque quem não ama não pode realmente entender em que consistem os sacrifícios proporcionados pelo amor. Um favor a quem tem o coração fechado às vezes é quase uma ofensa: como se um agrado pudesse ser motivo de vergonha. Que é o que se torna para quem agrada, que com isso morre aos poucos a não ser que se toque da ausência total de valor de quem não ama mas faz crer que consegue.

É curioso que esse ser de coração fechado consegue enganar e se enganar até mesmo nos momentos em que abre os olhos e tenta enxergar a entrega da outra pessoa a um amor em que não acredita. O engano se dá no exato momento em que consegue capturar aquele momento de entrega absoluta, que ele captura tal qual uma viúva negra seu zangão, e que acumula em seu estômago desfrutando de uma riqueza que sabe que não pode ser sua, porque só pode ser amado quem tem coração, e ele/a não tem.

Esse ser que não ama é pródigo em sorrisos de desprezo, que solta sempre que se depara diante de gestos de confiança sem custo nem preço que ele trata como commodities, ou seja, algo que se acha no mercado a preço de banana. Se a pessoa que o/a ama decide voltar atrás, esse ser de coração fechado reage como se fosse um insulto à sua eterna confiança, quando se esquece da face de sorriso matreiro que jogou ao ar quando se apercebeu da vantagem e que não percebeu ter sido notada por aquele que se jogou em suas mãos.

O ser que não ama é forte, porque se protege o tempo todo. Mas ao mesmo tempo é fraco, porque não se abre à vida. É um ser trôpego que parece esmolar a vida como se esmola o direito de viver. Não tente amar quem decide fechar o coração: você será engolido como por um buraco negro que não te dará nada, a não ser cobrança e uma dor indescritível de tua vida inteira sendo jogada fora.


Contreraman

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