o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

É preciso saber quando parar

Numa vida que dura muito pouco, e em que os méritos aqui e acolá desaparecem como que por milagre tão logo surge um desafio ainda maior, achar que se tem controle de algo, ou mesmo da informação de que esse algo se nutre, é mera ilusão, e pior, tira o sabor da vida.


12573008_951518968267663_2751028984539040003_n.jpgTroquei há alguns meses mensagens com um excelente profissional de uma empresa de destaque em seu ramo sobre uma questão absolutamente pessoal, mas tive de usar o email da empresa. O profissional me respondeu cordialmente e tudo teria acabado por isso mesmo se eu não tivesse percebido, agora mesmo, que aquele email, por precisar passar por seu subordinado direto, já havia sido lido por ele, sem que ele soubesse.

Isso nunca me aconteceu. Nunca aconteceu que meus emails profissionais passassem por meu ou minha chefia antes de mim. Considero isso inadequado e bastante complicado eticamente. Por outro lado, lembro-me de que, no email que troquei com esse profissional, ele pareceu se vangloriar de uma suposta onisciência quanto à sua imagem no setor, no mercado e em geral. Como se lhe agradasse saber tudo e prever tudo. Como se isso afagasse seu ego.

Sei muito bem o que é isso. É uma espécie de apanágio típico da insegurança, que acaba contudo se travestindo de superioridade. Uma espécie de jogada suja que evita o contratempo do acaso. É aquele movimento de peça, num jogo que deveria ser limpo, que o outro já previa, mas não com base em maior conhecimento das regras - o que é legítimo -, mas em informação privilegiada - o que não é legítimo, em muitos casos. Nesse caso do email da subordinada, com certeza não é legítimo, e pode até mesmo ser ilegal. Vocês podem argumentar, ah, mas eles se conhecem, e a mensagem era de cunho pessoal endereçada a ele. Ok, mas e se não fosse?

Questões de ordem emocional normalmente fazem com que, em muitos casos, queiramos ou desejemos saber tudo da ordem de determinadas pessoas ou situações, e com que muitas vezes teimemos em romper limites de ordem da confidencialidade. Quando a gente se apaixona, por exemplo. Mas isso é errado, e sabemos muito bem disso.

Porém, mesmo para quem nutre profunda insegurança, é extremamente gratificante - falo por experiência própria - se deparar com situações que surgem não da onisciência mas de seu oposto, ou mesmo do puro acaso. De que adianta sabermos exatamente quando o ser amado chegará em casa com um presentinho qualquer? Não é mais gostoso estarmos simplesmente prontos para ele em disposição mas não em ato, sem que nos preparemos sabendo exatamente o que virá a acontecer? Esse prazer gostoso do acaso também ocorre, como todos sabem, no ambiente empresarial.

Numa vida que dura muito pouco, e em que os méritos aqui e acolá desaparecem como que por milagre tão logo surge um desafio ainda maior, achar que se tem controle de algo, ou mesmo da informação de que esse algo se nutre, é mera ilusão, e pior, tira o sabor da vida. Pena, porque como eu já disse a vida dura um átimo. E - falo de novo por experiência própria - desse átimo o que a gente leva conosco é ainda menor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/sociedade// //Contreraman
Site Meter