o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ele chama (Hal)

Lembro-me bastante bem de quando eu tinha um 286, ficava fechado em meu quarto, e deixava a tela mostrar aqueles pontos fingindo que eu era uma nave perdida no universo. Minha brincadeira era apostar qual daqueles pontos iria me atingir. Às vezes, eles atingiam.


12243834_941457002596316_1111811954_n.jpgNaquela época, eu fazia alemão no Goethe, e um colega, que já era arquiteto, ouviu esse meu relato e achou que eu era mesmo um filósofo. Pensei, "ele só pode estar brincando". Mas não disse nada. Achei esquisita a afirmação, mas confesso também que de alguma forma tinha algo a ver. O que eu buscava, naquela época, era uma espécie de divertimento passivo (que não me exigisse nada formalmente) mas que mantivesse minha mente inquieta focada em fazer alguma coisa. Tipo, procurar aquele pontinho que iria me "atingir". Logo iria reparar que alguns jogos, alguns softwares, alguns sites, algumas tecnologias (como o FTP) cumpriam atender essa minha "demanda". Lembro-me de que, ao usar os servidores da USP, eu queria entrar na maior quantidade possível de grupos. Lembro-me também que ao ter acesso à internet em casa, eu me conectava a grupos de FTP (acho) que não paravam de mandar textos que não me diziam nada, mas que eu adorava ver chegar. Depois, com emails, eu me lembro que ficava esperando por minutos seguidos até que chegasse alguma coisa, qualquer uma, nem que seja uma mala direta, para ver a coisa funcionar. Depois, quando eu colocava os emails em pastas, o trânsito real continuava, mas aquele que eu via praticamente sumia, e eu ficava decepcionado. Aí trabalhei em sites diversos, um sobre futebol, fiz cobertura de Olimpíadas (Sidney, 2002) durante várias madrugadas. Lá online, pude até fazer trabalhos de política enquanto atualizava os placares. Nada era tão agitado quanto eu imaginava. Saía cansado, claro, mas não havia ali a tensão que eu tanto buscava. Os anos foram se passando e veio então o facebook. Que para mim é apenas a forma mais popular de estarmos o tempo todo esperando que alguma coisa chegue, para fazermos algo ou nada. Para tentarmos preencher o tempo com uma expectativa que sempre resulta frustrada. E tem quem dê importância àquilo que publica ou é publicado.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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