o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Lemmy ou quem estende a mão

Quando a gente resolve finalmente viver, descobre que há coisas que valem a pena, e outras que não valem. E que a gente precisa, se quiser mesmo viver, dar valor às primeiras e descartar as outras. E que, para isso, é preciso enfrentar o que vier pela frente, seja o que vier. Isso pode parecer fácil, quando se tem certas condições de vida. Mas, quando a gente se fode para valer é quando a gente percebe o peso que isso dá, e a dor que isso pode trazer junto.


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O Lemmy, que morreu no dia 28de Dezembro de 2015 foi para nós - que mal o conhecemos, ou que soubemos deles pelo noticiário, pela música e pelos livros - um rock star. Mas ele foi, também, um garoto pobre, mau aluno, expulso da escola, que veio a conhecer o seu pai biológico pessoalmente só aos 17 anos, que tocava mal guitarra, e que foi expulso da banda na qual ele queria ficar até morrer, que montou sua própria banda porque ninguém o queria nas outras, que criou fama sendo o que ele foi. Que, porém, ao final disse pura e simplesmente que estava pronto para morrer, pois sua vida tinha sido boa. Nada mais pontual.

Nós somos outros. Nós não podemos ser o Lemmy, nem seguir os seus passos. Nós podemos fazer nossos próprios passos. Nós nem sequer devemos seguir os seus conselhos, porque pensamos por nós mesmos. O filho dele, Paul (ele teve outro, que não conhecemos ainda), gosta de opinar sobre política. O Lemmy não gostava muito disso. O filho dele tem uma visão toda particular do mundo, que não era a do Lemmy, e que nunca precisou ser. Mas ele e o pai compartilhavam de algo. Eles se amavam de alguma forma.

Venho descobrindo, aos poucos, tudo aquilo em que realmente acredito. O Lemmy me ensinou, com seu exemplo, a ver o mundo mais claramente, e a não ter vergonha de mim mesmo. A muitos, ele ensinou outras coisas. Mas, muitas outras pessoas, nem maiores nem menores do que ele, me ensinam outras coisas, todos os dias. Há quem ensine de outras formas, para plateias menores, de formas mais recatadas, ou que nem mesmo consiga ensinar o que sabe, e que por isso prefere ficar calado/a.

Não é isso que torna uma pessoa melhor ou pior. O que torna uma pessoa a ser o que genuina é aquilo em que acredita. O Lemmy sempre dizia "fight" (lute). Vejam que ele nem dizia em que acreditar, mas que era preciso lutar. Todos temos nossas lutas. E a dele só ele soube qual era. Talvez, ele tenha apenas querido ter uma boa vida, como ele disse ao final. A gente nunca vai saber.

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Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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