o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Não se consegue amar a partir de corações fechados (à alegria, ao aprendizado e ao sofrimento): seja o seu, seja o do ente amado

Claro, vcs me chamam de exagerado ou de louco, mas querem saber? Minha única loucura mesmo foi ter aberto completamente meu coração. Isso não é loucura, queridas. Isso é amor.


10271477_127753047602379_4793887557595859331_n.jpgÉ curioso e quase irônico ter que comentar esta regrazinha agora, depois do que passamos. Curioso não só em relação a vc, querida, sempre querida; mas curioso também em relação a vc, que fica se virando para entender, e que me pede comentários, também querida, e muito, como ontem falei ao teu parente.

Mas não escrevo isto para recriminar vocês duas. Nem para mostrar-lhes ou mesmo lamentar seus corações fechados. Os corações são seus, e quem sou eu para garantir que eles estavam ou estão fechados? Foram vocês, contudo, que me disseram. Nunca amei, vc, mais distante, me disse. Nunca amei e não quero mais nada sério, vc, mais próxima, me disse. Terei sido idiota em insistir? Não creio. Paguei o preço.

O que é um coração fechado só o próprio coração poderá dizer. Cada coração é único, e tem suas regras, suas manhas e seus pontos fortes e fracos. Mas não é possível, a meu ver, existir um coração aberto que não esteja disposto à alegria, a aprender e a sofrer. À alegria todos estamos sempre dispostos; ao aprendizado, mesmo, já são em menor número os disponíveis; ao sofrimento, por sua vez, ainda menos.

Mas que não se entenda que ao dizer alegria, aprendizado e sofrimento eu entendo, aqui comigo, o que todos parecem compreender: alegria, momentos alegres; aprendizado, lições que nos permitam viver melhor com o outro; sofrimento, a dor da aproximação e da perda. Não é só isso.

Alegre pode ser simplesmente entender que o melhor é viver sozinho, ou sozinha, e bem; ou pagar o preço em sofrimento para outro tipo de alegria, desta vez compartilhada; ou simplesmente pagar o preço de se anular pela alegria do outro/a, caso não consigamos curtir a nossa; aprender pode ser simplesmente saber deixar o tempo passar, ou fazer o que nos desagrada para verificar o que há ali, ou descobrir que o aprendizado não acaba e que não basta ou que para ele é preciso quase violentar; sofrer, por outro lado, pode ser tentar ser de forma diferente, só para ver como é, apostando que pode não dar em nada; ou violentar-se (um pouco) para tentar entender o mundo com os olhos do outro, só para tentar enxergar nessa nova visão algo que pode nos fazer aprender ou mesmo desaprender algo de que estamos de saco cheio; sofrer pode ser também experimentar a dor pela dor, simplesmente, sabendo que ela não tem explicação - nem jamais terá.

É BÓVIO que as interpretações para alegria, aprendizado e sofrimento são incontáveis, infinitas e universais.

Pois lhes digo, queridas, duas queridas. Se vcs tivessem aberto realmente seu coração, poderiam ter entendido que, ao me violentar profundamente, ao quase me matar diversas vezes, ao ir além de mim mesmo, para este lugar em que me encontro hoje, sozinho, eu não simplesmente apostei no cavalo errado: eu me joguei todo, completamente aberto, sem jamais mentir um segundo sequer, nem deixar de me importar também um segundo sequer. Claro, vcs me chamam de exagerado ou de louco, mas querem saber?

Minha única loucura mesmo foi ter aberto completamente meu coração. Isso não é loucura, queridas. Isso é amor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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