o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

O legado é de quem lega (sobre Buk e Lemmy)

Certa discussãozinha recente motivou-me a pensar sobre essa questão de legado.
Vejam, temos nossos "heróis". E eles morrem. Mas, apesar disso, continuam em nossas mentes como aquilo que foram e aquilo que, quem sabe, nós mesmos não tivemos CORAGEM de ser. Ok.


1480553_10203961426194319_5930318725646973406_n.jpgMas quando morrem então vêm os urubus, que sempre têm fome. Que ficam com os despojos. E que se metem a falar sobre os "heróis" como se eles FOSSEM deles. Como se houvesse o certo e o errado. Existem os herdeiros. E os apaniguados. E as editoras. E os fãs-clubes. Todos eles assumem para si o afã de RESGUARDAREM o legado dos nossos "heróis". Dizem então o que é correto e o que não é.

Dizem que Bukowski gostava de ser chamado de Hank. Ok. Mas e daí? E se eu quiser chamá-lo de Buk? Ah, mas não pode, porque isso ou aquilo. Ora, Buk não estaria nem aí. Assim como não pode estar nem aí o Schopenhauer sendo chamado de Schopa (que horror). Ou muitos outros.

Mas os urubus insistem. Dizem que ah, não pode. E elencam barafundas de argumentos que nada querem dizer. E por que digo isso? Porque no fundo quem lê quem soube escrever SABE quem é que segue o cara e quem não segue. E seguir um Buk é ser descompromissado e seguir a si mesmo.

Lemmy morreu há dias. Tenho autorização do filho dele para fazer uma peça sobre ele, baseada na biografia dele. Isso me dá algum outro direito? Claro que não. Milhares existirão que entenderão o legado do Lemmy do seu jeito particular. Nada posso fazer a respeito. Posso respeitar a dor do Paul, o filho, ao ver a imagem do nosso herói sendo maculada. Mas o mundo é dos vivos, filho. Morreu, tá enterrado. Simples.

Não gosto MESMO que entendam a imagem do Lemmy de forma indevida. Fico chateado. Dizem que ele era um mero porra-louca. Sabemos que não. Que era inconsequente. Eu sei muito bem que não. Mas e daí, quem sabe, sabe. E quem não sabe, tenta saber. Pelo menos isso.

Recentemente, um amigo disse idolatrar o Lucky Luciano, o mentor da máfia norte-americano. Emprestei-lhe um livro (nunca faço isso), a autobiografia do meliante. A imagem que o Lucky para ele mudou. Mas poderia não ter mudado. Tudo bem.

Ninguém tem o direito de, salvo menção expressa ou autorização legal, impedir qualquer um de falar ou fazer qualquer coisa inspirado/a na figura de alguma figura pública que tenha morrido. E mais: isso, além de indevido, é deselegante. Quer saber o que eram as mulheres para o Buk? Não pense que atrás de um notebook você irá descobrir. Nem o que eram os animais para ele. Ou o tempo. Ou a vida. Ou a morte.

Tente, ao invés disso, carregar uns 30 kg de cartas de um lado a outro de uma esteira. Talvez seja mais adequado.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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