o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Para quem ama, tudo é superlativo, especialmente o insignificante; para quem não ama, tudo - o superlativo ou o insignificante - é patético, ridículo e absurdo

Porque isso é amar. É guardar os detalhes, os míseros avanços e recuos dos seres através do tempo, conosco, e às vezes eternamente conosco.


7.pngVocê diz que não amou (ainda), que no máximo ficou apaixonada uma vez. Você também diz que não gosta de melodrama, que acha essa mania de dizer eu te amo pra cá e pra lá um saco, que não se dispõe sequer a dar atenção a demonstrações verbais desse tipo. Apesar disso, você bem gosta de um melodrama, e sabe também que a vida de certa forma É um drama desse tipo - seja entre pais e filhos, irmãos e outros parentes.

Mas quando me liga e me diz algo quase rasteiro - que não disse o que eu nem havia dito que vc haveria dito - você fica toda confusa e expressa bastante ansiedade quando te digo que estou por aqui ou em outro lugar. Você também tenta explicar-se - especialmente quando eu não te peço. Você conduz a conversa meio sem jeito, e parece na verdade querer ouvir algo mais - que seja apenas minha voz. Você ama, querida. E eu também amo.

Eu te amo quando te respondo, diga, linda, seja qual for teu tom de voz - e às vezes é bastante agressivo. Eu te amo quando reparo que teu tom de voz, às vezes sob a forma de gritos, é no fundo mera aparência, e que no fundo a pegada é outra, quase insignificante para todos os mortais, menos eu. Porque eu reparo em teus detalhes. Eu como que te vejo numa espécie de raios-X especial, feito apenas por mim para desvendar apenas tua solene pessoa. Porque tudo em você, e diria que especialmente aquilo que parece tão menor que desaparece a um mero piscar de olhos, é para mim superlativo. É o must remember this. É o lindo, maravilhoso, é o que você realmente é, e que me acompanha, e que me faz lembrar, e que me faz viver.

E sei que com vc, ao menos até certo ponto, também. Porque isso é amar. É guardar os detalhes, os míseros avanços e recuos dos seres através do tempo, conosco, e às vezes eternamente conosco. E também sabemos: é naquele exato momento em que os detalhes parecem ir embora que aos poucos iremos deixar de amar. Seja quem for. Até pessoas que de tão importantes parecem consistir em algo de nós nelas mesmas. Até dessas pessoas.

Eu dizia que amava uma garota. Aí rompi. O tempo passou e, embora continuemos conversando, tudo parece uma outra coisa, e duas outras pessoas. Seus trejeitos antes me fascinavam; hoje me parecem patéticos. Seu jeito ora suave ora agressivo fazia-me tremer por dentro. Hoje, não; ele me parece apenas uma coisa dentre muitas e muitas outras. Ela mudou, você sabe? Mudou até bastante, melhorou e tornou-se bastante mais tolerante e até consegue me ouvir (realmente). Mas em que isso conta aqui, no meu interior? Em quase nada. Ou diria: em nada. Me é externo. Não me é mais meu.

Algo se foi - e isso foi o amor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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