o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Por mais que a gente possa dar TUDO pelo amor, o amor é sempre gratuito (ou seja, a gente nunca espera nada)

Pode parecer COMPLETA BABAQUICE eu dizer o que estou dizendo, que quem ama não espera nada em troca. Pois É CLARO que quando a gente ama, a gente quer e ansia ser correspondido/a, ficar com a pessoa, acordar e dormir com ela, viver bons e maus momentos, suportar seu humor, esperar que nos suporte, ver sua beleza, sua feiúra, seus problemas e suas soluções e tudo o mais. Isso é amor romântico, com toda certeza, e não o chamado amor platônico.


Mas quando falamos de amor, e não de paixão, ou não de vida real, precisamos entender o sentimento, aquilo que realmente nos guia, e não necessariamente aquilo que acontece, aquilo que experimentamos, aquilo que queremos quando acordamos - um café da manhã na cama, por exemplo - ou quando vamos dormir - uma grande noite de sexo e de amor. Quando falo de amor eu falo do sentimento, e ele se expressa naquilo que curtimos e sofremos, e o amor, ao contrário da paixão, não traz excessivo sofrimento (e portanto loucura).

O amor traz, sim, sofrimento porque ansiamos pelo outro/a, porque sentimos saudade dele/a, porque queremos ver mais e mais detalhes dele/a, claro. Quando a gente não tem isso a gente sofre, sempre. Mas esse sofrimento não vai às raias da loucura, como o da paixão, que pode levar à morte, inclusive.

Aqui vou me concentrar naquilo que a gente pensa em dar pelo amor (tudo), e naquilo que a gente espera receber (nada). Antes de mais nada, CLARO que a gente quer receber consideração, atenção, carinho, até certos favores, uma certa renúncia, e tudo mais quando a gente ama e é correspondido.

Quem não espera isso torna-se aos poucos um capacho e passa a ser abusado pelo ser que a gente ama. Mas essa espera não é nada, em nosso interior, em relação àquilo que a gente quer dar, que é tudo aquilo que citei e muito mais. Na verdade, quanto mais a gente quer do outro/a alguma coisa, mais a gente está no campo da paixão, em que sentimos que podemos cobrar algo por aquilo que a gente dá.

Mas quando a gente verdadeiramente ama a gente NO FUNDO não cobra, só ou principalmente quer oferecer, dar, sem ESPERAR, sem ANSIAR, por algo em troca. Tudo torna-se gratuito, dado sem pestanejar e sem dor, embora essa dor possa existir (um esforço grandioso no nosso interior face a alguma coisa que nos é cara e rara). O amor transmuta qualquer dor em algo que não é dor, embora (EU) não sinta que é verdadeiramente prazer. É mais uma satisfação.

sex-couple-bed-feet.jpgÉ claro que, falando assim, eu me remeto ao amor romântico com pintas de algo religioso, como se realmente tivesse muito a ver com o sentimento que experimentamos quando pensamos em nossos ídolos religiosos (falo ídolo como exemplo, não como figura), ou quando pensamos em Deus, que tudo dá sem esperar nada em troca. Pois a questão da troca é interessante, e está no momento em que Jesus expulsa os comerciantes do templo. Amor não é negócio, toma lá dá cá. Amor só se dá.

Mas É CLARO que o amor, aqui, na vida real, nas noites mal dormidas, na carência financeira e espiritual, na mesquinharia dos sentimentos humanos, nos interesses mais comezinhos, aparece de outra forma, não dessa eminentemente religiosa, em que tudo se dá e nada se espera em troca. O ser humano sempre quer algo para si, sempre em geral quer mais do que pretende dar, sempre, de alguma forma, quer ficar no lucro.

Mas no amor, no amor verdadeiramente e não na paixão ou na simples convivência, a questão é apenas oferecer, e não cobrar nada, até porque, quem sabe, sabe, quando a pessoa está num ambiente público e só dá, ou seja, faz favores, se torna ela mesma, não tem vergonha da vida, ela se torna atraente e a outra pessoa PODE se aproximar pensando, peraí, o que é aquilo, que pessoa legal.

Um homem que se aproxima de uma criança com um doce, por exemplo, é uma cena de amor. Alguém poderá imaginar que ele irá querer algo em troca DA CRIANÇA? Claro que não. A beleza do ato está nele mesmo. Um homem que, diante de uma pessoa em colapso (como eu vi ontem no metrô Pinheiros), que vê a pessoa caindo enquanto todos a vêem como um simples mendigo, e que pelo menos pensa no bem daquela pessoa, e - o que eu não fiz, até porque não pude - lhe dá uma melhor condição, nem que seja o afasta um pouco do tráfego das pessoas, comete um ato de amor, simples e gratuito, pelo qual não pode nem deve esperar algo em troca.

Tudo isso, elevado à infinita potência, é o amor.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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