o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Quem não ama sequer pode achar digna de nota a própria Criação do Mundo; pois quem não ama não enxerga nada cujo valor não seja dado por algo externo

Quem ama vê o que quer. Não importa e mesmo é contraproducente expor-se demais. O outro, aquele que queremos que nos ame, tem de ser deixado à vontade.


549bafbdfb60d7803de467bab7b.jpgMuitas teorias existem para a Criação do Mundo, algumas delas científicas, e que são insistentemente discutidas - e hoje divulgadas pelas redes sociais. Os cientistas que as debatem dividem-se, em linhas gerais, entre aqueles que, por detrás do discurso frio, se maravilham, e outros que não sentem dessa forma. O amor está, claro, entre os primeiros. Um amor aberto e maravilhado que parece não acreditar no que vê.

Mas estamos falando de amor sob outro ponto de vista. O amor romântico. Restrinjamo-nos a ele.

Imagine uma pessoa que ama outra. Essa pessoa vê no objeto amado, em geral, algo virtualmente inesgotável. Isso fica mais do que claro quando você pede que ele/a te diga o que vê nele/a. Ele/a não consegue. É tanto! Todo detalhe parece inesgotável, sabem, para quem ama. Todo trejeito, todo jeito de andar, até o amarrotar de uma peça de roupa. Tudo convida a que o detalhe como que se multiplique e vire um discurso que não acaba mais. Mas, e com aquele que não ama? Aquele/a que não ama parece sempre virtualmente insatisfeito/a. Não enxerga beleza suficiente naquele/a que ele/a vê. Enxerga DEFEITOS. Enxerga algo que o outro/a não tem e que portanto precisa ser CORRIGIDO. Claro que ninguém é perfeito. Claro que tudo é possível ser melhorado. Mas ver o outro como um defeito não é amor.

Quando as pessoas se conhecem, claro, essa ênfase no defeito predomina. Mas depois ela amaina. Mas não estou me referindo aqui a isso, especificamente. Mas ao fato de que, distanciado do efeito da paixão, o ser que ama vê o outro infinitamente. E mais, a própria presença do ser amado o congratula e lhe dá mais energia de viver. Isso precisa ser correspondido? Claro que não. É bonito por si, e é o que dá o core (núcleo) do sentimento do amor. Até certo ponto, esse sentimento não é ajuizado. Canso de ver gente (inclusive eu mesmo) que ama e que não enxerga a outra pessoa. Não a vê em seus defeitos. Eu mesmo tendo a esconder estes últimos, em detrimento disso que me dá prazer, e que me dá maior vontade de viver. E isso não é, em grande medida, errado. É simplesmente como é. Quando o tempo passa, claro, a gente vê melhor. Mas para quem ama, no geral, nada muda. Tudo permanece o mesmo. E quando o amor é sincero sempre dura para sempre.

Já para aquele que NÃO CONSEGUE SAIR DE SI, fica difícil amar. Pois ele/a tende a JULGAR o outro/a pelos seus próprios critérios, e não ouve. Pois se aquele que ama diz àquele que quer amar que ele/a precisa se afastar de si, este pensa que com isso ele/a terá de deixar de ser si mesmo/a. Quando isso é mentira. Quanto mais alguém ama, mais se torna si mesmo. Não tem invasão. Tem convivência. Isso fica claro quando as pessoas que se amam, mas de forma diferenciada, o que sempre acontece, convivem, que seja alguns minutos, ou passam por uma experiência existencialmente forte. Eles conseguem se comunicar, conseguem VER o lugar um do outro, conseguem entender em que ponto está A ALMA do outro.

Claro, numa discussão forte, ou num momento em que as pessoas parecem se estranhar, isso é quase impossível, ou mesmo assume características estranhas. Mas fica claro quando eles ainda se entendem: quando não INVADEM o lugar do outro. Aqueles que ainda se entendem NO FUNDO não se estranham, mas se reconhecem. E não há aquele clima do JÁ FOI. Há aquele clima do ainda não é suficiente para a gente saber. E isso, por mais dramática que seja a situação específica, É LINDO. Isso no fundo é o que se chama relacionamento. O resto é troca de fluidos.

De certa forma, NÃO ADIANTA para aquele que busca o amor do outro expor a si mesmo em suas peculiaridades bonitas e interessantes. Quem ama vê o que quer. Não importa e mesmo é contraproducente expor-se demais. O outro, aquele que queremos que nos ame, tem de ser deixado à vontade. E como fazer quando é preciso ser suficientemente duro/a para colocar a pessoa em seu lugar, e mostrar-lhe como foi injusto/a ao desprezar a nós mesmos em momentos em que ela/e era o foco e em que nós nos reduzimos quase a nada para deixá-la/o à vontade para simplesmente SER? Isso é sempre difícil, e muitas vezes impossível. Há pessoas que simplesmente se recusam a ver o outro. Ou não têm condições físicas e mentais para isso. A gente muitas vezes precisa se conformar.

Mas como sempre digo, amor que é de verdade dura pela eternidade. E não é poesia, nem nada dramático, é como é. Quem já sentiu, sabe.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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