o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Solidão

Dizem (Camus) que a única verdade na vida é a morte. Mas também dizem que o único problema é a solidão. Nascemos e morremos sós. Buscamos a todo momento uma conexão, um enlace, algo que nos faça acreditar no contrário - que temos companhia. Casamos, nos separamos, sofremos e vivemos com a certeza patente de que, lá no fundo, isso não é verdade. Somos sozinhos.


029-sexy-paintings-thomas-saliot.jpgNão vou dizer que tenho a solução para os males da solidão, porque claro não os tenho. Mas não me sinto só, apesar de viver só, de morar bem longe dos familiares, de mal contatá-los por email, telefone, whatsapp ou facebook, de ter amigos distantes, de os muitos conhecidos que possuo mal aparecerem, e de no lugar onde vivo ter poucos amigos, apesar de me dar bem com a grande maioria dos vizinhos (1400, num condomínio fechado).

Perguntam-me por que não arranjo uma namorada, e sabem, venho tentando. Mas a grande verdade é que não faço isso porque tenho algo em mim a preencher. Ou porque quero um corpo ao meu lado quando eu acordar. Ou porque quero me preocupar por mais alguém, até acima de mim mesmo. Eu quero uma namorada porque hoje sei o que é amar, após quase 5 décadas sem ter tido a menor noção real daquilo que isso significa. Não vou falar de mim, nem dizer com isto "venham, garotas". Simplesmente hoje eu sei o que é amar, e amo muito.

Tenho refletido muito sobre amor e venho até conversando com quem recrimina quem tem animais para combater sua própria solidão. Eu mesmo criticava essa gente, que me parecia carente demais para ser levada em conta. Eu não tenho animais atualmente, embora tenha tido. Noto que muitos têm animais em parte para combater sua própria solidão. Outros vão a festas e tentam se divertir. Outros lêem compulsivamente, ou escrevem sem parar no facebook (eu mesmo já fiz isso). Se o século XX é o século da depressão, diria que o XXI é o da solidão, no fundo a causa primeira da primeira (ou seja, da depressão).

O que eu penso, no fundo, é o seguinte. Se os problemas psíquicos que levam à depressão ou os estendem até a loucura se devem a questões emocionais, e se a questão emocional por excelência é a solidão, esta por sua vez se deve à busca de amor. Amar e ser amado. Amor romântico ou não, amor pela humanidade, amor por si mesmo, ou amor a Deus, tanto faz. Tudo o que diz respeito a emoção tem a ver com o sentimento do amor. Um sentimento, em suma, apenas isso.

Termino dizendo que até eu amar não sinto que realmente tenha existido enquanto ser humano. Lembro-me bem de quando pedi a Deus que me desse alguém que eu pudesse amar. Tentar, eu tentei, mas não consegui. Aí veio um dia específico e pimba!, amei. Descobri a mim mesmo amando. Não foi fácil, claro. Passei pelas etapas da paixão. Passei pelas dores (bem menores) de amar. Passei pela dúvida, e mesmo por uma certa decepção.

Não tenho medo de dizer que ainda não creio ter sido correspondido no amor que sinto, pelo menos nesse amor romântico específico. Mas hoje sei bem claramente que esse amor meu existe, e que ele independe do inverso. Eu simplesmente amo. Quero ser amado, ah, se quero. Mas talvez tenha sido por isso, apenas por isso, ou seja, por amar, que não me sinto mais só.

Termino agora dando uma de poeta lírico, sem fazer poesia. Diria que quando a gente ama como que o mundo parece fazer um leito enquanto a gente vive e dorme que nos convence realmente de que não estamos sós. Esse convencimento nos irmana e nos torna algo maior e que nos traz calma e paz. Creio que seja isso o que acontece. Quem sabe?


Contreraman

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