o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Um grão de areia

Quando a gente não tem coração, faz as coisas sem se aperceber do mal que elas causam na gente. Porque se a gente simplesmente se vinga, esquece e logo os problemas são outros; a memória daquela pessoa que nos causou mal e da qual nos vingamos some na poeira do tempo.


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A tradição maniqueísta faz crer que somos apenas um grão de areia numa grande disputa que envolve o mundo, quando não o Universo: o bem contra o mal. É fácil desconsiderar essa leitura, dizendo que as coisas não são bem assim. Que tudo é mais complicado, que as coisas são cinzas, ou que nada é tão duro quanto parece. Pode ser.

Mas é curioso, pois quando nos defrontamos com uma situação em que nossos piores instintos parecem nos levar contra uma pessoa querida, mas por outro lado quando nosso coração nos faz sofrer demais com a situação, temos de tentar entender o que acontece e o que fazer. É fácil vingar-se quando estamos por cima; é miserável ter de aceitar a ingratidão e ficar quieto, optando por não tomar a iniciativa. Por instantes, sentimos que somos disputados entre os instintos de vingança e a dor de aceitar o mal vindo do outro sem retrucar.

Quando a gente não tem coração, faz as coisas sem se aperceber do mal que elas causam na gente. Porque se a gente simplesmente se vinga, esquece e logo os problemas são outros; a memória daquela pessoa que nos causou mal e da qual nos vingamos some na poeira do tempo. Não precisamos arcar com o peso da decisão, em suma. Não importa, quero deixar bem claro, se estamos sendo justos ou não ao tomarmos uma atitude contrária à daquela pessoa. Importa que quando não temos coração a decisão não nos custa muito.

Mas quando sopesamos a atitude daquela pessoa em nosso coração, quando arcamos com a dor de termos sido maltratados, quando não entendemos, em nosso coração, por que a pessoa fez o que fez (em caso de não ter tido motivo para tal), quando carregamos a mágoa em nós por dias, semanas, meses ou mesmo anos a fio, qualquer decisão parece difícil ou até mesmo impossível. Menos o perdão. Mas não estou me referindo a um perdão fácil, do tipo "deixa para lá". Estou dizendo um perdão do tipo "que assim seja", ou seja, "amém", ou seja, "Deus lhe pague" (o que pode parecer estranho, mas é justamente isso, que Deus irá lhe dar o que lhe diz respeito). Esta atitude de perdão não é uma vingança; é uma admissão de derrota enquanto ser humano; jogar na mão de Deus a solução para isso que foi criado.

De acordo com certa tradição, somente esse tipo de perdão é admissível. Nele, não cabe simplesmente compreender ou aceitar o caráter humano daquela pessoa. Nele, está uma espécie de recusa em fazer qualquer coisa. Nele, está uma separação. Que Deus faça o que é justo. Eu, de minha parte, deixo isso nas mãos dele. Em muitos casos, isso não é fácil. Não é fácil simplesmente parar, abaixar a cabeça e continuar como se nada tivesse acontecido.

Mas tem uma coisa. Quando a gente pensa assim, parece abandonar o peso de algo que nos supera. Que se faça a Sua vontade, é o que a situação parece nos dizer. Não à toa, ao que parece, a pessoa que fez algo errado meio que desaparece e não acredita. Mas você não vai mesmo fazer nada?, é o que ela parece nos dizer. E precisamos amargar a cara de otários.

Que assim seja, né. Amém. Seja o que Deus quiser. * * * Outro dia tento dizer por que considero que esse tipo de atitude não é fatalista, cômoda, acomodada ou de vítima que se acha com a razão e o poder.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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