o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Uma narrativa focada e desfocada sobre descontrole

O descontrole pessoal muitas vezes não aparece somente em aspectos externos das pessoas, mas em seu comportamento no relacionamento com os outros. E num mundo em que a maioria do que acontece parece pairar por aí, é preciso ficar alerta.


lana-del-rey.jpgTem gente que gosta sempre de estar no Centro do mundo. Houve uma época em que esse centro era Paris. Depois, após muito esforço dos norte-americanos, passou para Nova Iorque. Claro que quando digo isso refiro-me ao centro do mundo enquanto lugar legal, com vida noturna, com agitação, filmes, artistas, em suma, onde o mundo "acontece". Mas existe outra forma de entender a expressão centro do mundo.

Centro do mundo, para um jornalista com muita gana de trabalhar, é o lugar em que está a notícia. Em que estão, em suma, os problemas, as agitações que chamam a atenção das pessoas, os conflitos. Nesse sentido, às vezes o centro do mundo é o local em que estouram ou se desenrolam as guerras, ou onde ocorrem atentados, ou onde ocorrem festivais de cinema, sei lá. Centro do mundo para um jornalista é onde a notícia acontece.

Em sentido mais amplo do termo, em termos de doenças psicossomáticas, o século XX foi o século da depressão. A depressão é o mal psicofísico que mais fortemente e amplamente atinge hoje os seres humanos. A depressão, contudo, é apenas uma forma pela qual as doenças do espírito se apresenta. Existem milhões de formas de doenças psíquicas já catalogadas (estão em um manual internacional sobre isso). Muitas dessas formas são questionáveis, é claro. Onde está o maior número de atingidos por elas em uma cidade em especial? Em São Paulo. Nós temos em meio a nós o maior número de doentes mentais no mundo. Nesse sentido muito específico, estamos no centro do mundo.

Mas 2016 será um ano economicamente assustador. Isso todos sabem. O governo federal se propõe gastar apenas 11 bilhões de reais nos primeiros dois meses do ano. Para um orçamento de 2,954 trilhões, 11 bilhões de reais equivale a 0,37% para DOIS meses do ano. Ou seja, nada. O efeito disso no governo pouco me importa. Importa o efeito disso nas pessoas. Nos programas que ficarão à míngua. Nas pessoas que já estão em dificuldades e que o governo trata como se fossem as responsáveis pelo descalabro seu (do governo). E como é óbvio as pessoas irão sofrer - e muito. Já vejo gente perdida na rua, sem saber o que fazer, e algumas bêbadas clamando aos céus (praticamente). Quem é responsável por isso? Elas mesmas e essas forças que parecem conduzi-la aonde chegaram. Irei me concentrar agora nos meios de web (as chamadas redes sociais). Tenho 900 poucos "amigos e amigas" no facebook, uma das redes mais usadas. Desses 900 e pouco, conheço vários/as que possuem problemas de ordem psíquica. Alguns fazem uso de psicotrópicos pesados, como Rivotril, outros de medicamentos mais leves, e ainda outros, que (contrariamente àquilo que seria adequado) se automedicam. Mas esses estão aparentemente se conduzindo bem. De vez em quando, soltam posts e mais posts de autoajuda que devem fazer bem a eles mesmos, mais do que aos outros. Mas conversando com eles por inbox vejo que mantêm uma certa calma.

Mas existem outros que de repente soltam diatribes ou que desenvolvem argumentações parecendo brigar consigo mesmos num espelho, ou seja, usando as outras pessoas como formas de lidar com seus demônios. Não nego que eu mesmo já fiz algo assim. Mas o que me preocupa é como certas pessoas insistem no comportamento, independente do que aconteça com a outra pessoa. Para abordar estes casos, é bom que a gente se foque no aspecto racional envolvido.

Por exemplo, imaginem uma pessoa cuja família tem casos de distúrbios psíquicos. Agora, imaginem um membro dessa família que acaba abordando um quase desconhecido e que, de alguma forma, o convence a dar importância a algum tema que lhe é caro. Imaginem então uma conversa entre essas pessoas, aparentemente racionais, e um momento em específico em que a primeira pessoa (aquele membro da família) toma uma atitude de desprezo patente, uma forma de achincalhe, seja em público ou em privado. Nesse momento, ao que parece, a pessoa parece perder a racionalidade. É como se a pessoa, numa conversa na rua, partisse para cima da pessoa e a chamasse de alguma coisa que está propriamente na cabeça dela. Nesse momento, as coisas se complicam. E fica claro até que ponto pode ir a ação de pessoas praticamente desconhecidas entre si. Mas num ambiente virtual, que é o caso.

Neste mundo em que todos estão praticamente eternamente conectados, e em que a solidão passa muitas vezes a tentar ser combatida com as redes sociais, o risco desse tipo de abordagem é muito grande. Não me refiro a pessoas reais, que se conhecem na realidade e que passam a ter entreveros pelas redes, mas a pessoas realmente virtuais, que não se conhecem, nunca se viram, e que em determinadas ocasiões passam a se tratar como grandes amigas e que de repente se tornam objeto de desprezo, de uso, de abuso e mesmo de assédio. Isso é bastante perigoso, especialmente em momentos de descontrole financeiro e emocional.

O governo federal e as outras esferas governamentais deveriam, a meu ver, acompanhar apropriadamente esse tipo de fenômeno, que já deu margem a suicídios amplamente documentados (como do garoto Yoñlu, que foi induzido a se matar por pessoas na rede), a abusos de ordem sexual (casos de imagens sensuais tomadas em caráter privado e divulgadas na rede), etc., e que aparentemente não têm tido acompanhamento adequado por quem deveria fazê-lo. Não tenho realmente a menor ideia de como isso poderia acontecer, resguardando os limites pessoais e de intimidade das pessoas, mas não creio que esse seja um problema menor.


Contreraman

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