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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Asma, doença crônica? Remédios para toda a vida?

Eu só fico encucado com a ideia, daquele médico, de que eu deveria tomar Seretide por toda a vida. Era uma completa bobagem, isso, tenho certeza. Mas de onde vem a ideia de que uma doença crônica é uma doença limitante A ESSE PONTO isso eu não sei.


niños_jugando_verano (4).jpgNasci no Chile em 1967, e tendo vivido boa parte de meus primeiros anos num bairro novo, com muito verde, fiquei sujeito desde então até 1977 a flores, pó, pólen e muitos iniciadores de asma. Desde então me acompanha a ideia de que sou asmático. Digo, SOU.

Lá no Chile, bastava eu sair à rua, ou ficar em casa, em algum lugar por algum motivo não muito asseado para eu começar a espirrar. Depois eu sentia falta de ar e podia entrar numa espécie de ataque que fazia com que eu não conseguisse viver direito. Não me lembro muito bem o que minha mãe me dava, se é que dava para eu conseguir lidar com aquilo.

Lembro-me apenas que um dia, na primeira sessão de cinema de minha vida, no centro da cidade, de Jesus Cristo Superstar, eu precisei e obriguei minhas acompanhantes a sair da sala para poder respirar. Foi um fiasco, claro. Não à toa eu era meio que o queridinho da família, o coitadinho que precisava ser tratado, cuidado, sei lá.

Lembro-me também de que um dia uma garota riu de mim, na rua, pelo ataque que eu estava sofrendo e que eu me vinguei dando um chute na bunda dela. Foi uma das primeiras vezes que eu respondi com violência a algo desse tipo, um achincalhe de alguém por causa de algo que eu sofria.

Não me lembro muito bem o que eu usava para lidar com essa asma. Lembro-me apenas de que minha asma atacava com pó, pólen, lugares fechados e que ela se apresentava com ataques de falta de ar.

Quando a gente veio ao Brasil, a diminuição do número ou quantidade de plantas com flores carregadas por abelhas me ajudou muito no controle do que sofria. Claro que São Paulo é poluída, mas esse aspecto não me causava muitas crises, nem eu tinha de tomar remédios a respeito. Lembro-me de que eu precisava, de vez em quando, de bombinhas de ar, mas era bem menos do que antes. Eu também via meu pai usando aquelas bombinhas portáteis, claro.

Trocamos de apartamento algumas vezes. Mas em todas eu morava no quarto de empregada. O isolamento e a pequenez do lugar, que era um privilégio, aparentemente fez com que o caráter psicológico da asma assumisse primeiro lugar em minha vida de pessoa que sofria ataques de falta de ar. Eu colocava um pequeno ventilador para me ajudar, mas ele chegou a derreter pelo tempo que eu o colocava para funcionar.

Quando passei a morar com minha esposa, a asma diminuiu, mas com o tempo passou a retomar sua intensidade, e creio que por motivos mais psicológicos que fisiológicos. Eu fui fazer exames num hospital da 23 de maio, e lá o médico me receitou Seretide, que funcionava mas era muito caro e além disso não parecia surtir efeito o tempo todo. Não comprava e pagava o pato.

Quando vim morar sozinho, a necessidade de fazer tudo meio que me obrigou a deixar de dar tanta importância à asma. Mas tive ataques num momento em que estava com crise de vários tipos. Foi então que passei a lavar mais a roupa. A assear mais o local. E a não me preocupar com minha solidão. Desde então não tive mais ataques, nem falta repentina de ar.

Cheguei a comprar alguns livros sobre saúde e um, técnico, sobre asma. Claro que não entendi nada do técnico. Mas considero, pelo que já me disseram, que realmente o aspecto psicológico é muito importante ao se lidar com a doença. Mas também considero que cuidados simples, simples mesmo, podem fazer toda a diferença.


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