o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Cansado de filmes e músicas tão bonitos/as

Não deve ser surpresa para ninguém que eu diga que, no começo do século XX, uma das grandes motivações para os bem pensantes se afastarem daquele classicismo atroz que contaminava a pintura e a música foi o nojo ao bonito, lindo e maravilhoso.
Porque vemos Picasso e não vemos algo lindo.


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Pois vemos Cezanne e sentimos o mesmo. Pois vemos Brancusi e nos maravilhamos com o porte, mas não, aquilo não é bonito, lindo e maravilhoso. Aquilo é feio e por isso, quem sabe só por isso, fascinante.

Vou aos cinemas da vida, nos circuitos da arte paulistana, e experimento o mesmo ar de tédio e nojo que os antigos, do começo daquele século em que nasci. Vejo filmes com fotografia tão perfeita que me desobrigam de vê-los. Vejo cartazes tão maravilhosos que não conseguem animar minha alma calejada. Não é questão de classe. Não é porque esses filmes tratam de temas que, ou abandonei há muito, ou dizem respeito a questões de gente bem melhor nascida e vivida que eu. Não é porque eu insisto em não pertencer, embora corra o tempo todo para fazer alguma diferença - nem que seja para mim. É porque aquilo me cansa. Esse olhar cultivado me faz sentir tédio sequer de discutir com alguém com alto índice de cultura letrada.

Eu gosto do sutil. Acompanho, passo a passo, minhas plantinhas na sacada crescendo e mostrando facetas que eu sequer imaginaria se ainda fosse o Australopitecus de meses atrás. Consigo escrever páginas e páginas a partir de meros trejeitos de pessoas que eu amo. Consigo conversar com amigos e amigas sobre temas os mais diversos, e mesmo assim concluir que, no limite, nenhum de nós realmente consegue sequer SE entender.

Mas são os filmes os que realmente me tiram do sério. Não consigo sequer desfrutar as cenas de ação, pois sei, por experiência própria, que o real é bastante diferente. Um soco no nariz é diferente de uma estocada no baço. Aquele cria marca de luta; o outro, desígnio de morte. Não sei por que as coisas são assim comigo, mas assim é que são.

Gosto do sujo, do tosco, do mal ajambrado, do mal acabado. Odeio a beleza pura e simples. Porque ela no fundo é falsa. Uma rosa não mente, mas se não tivesse espinhos seria diferente.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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