o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ele/a não nos reconhece. E agora?

A gente pode se torcer e revirar para cumprir suas vontades. Sabe o que pode acontecer (não necessariamente o que vai acontecer)? Nada. Ele/a simplesmente vai considerar que você está aí para cumprir seus gostos e com o tempo vai deixar de prestar atenção em você. Isso não é cruel, é como é.


bom_dia_meu_amor.jpgA gente pode tentar descobrir suas profundas verdades. Sabe o que pode acontecer com isso? Pode acontecer de a pessoa REALMENTE descobrir o que é, o que quer, e o que mais profundamente deseja, e isso pode não ter nada a ver com você. Pode acontecer também de a pessoa crescer tanto que passar a considerar você mais como uma etapa de caminho do que como parte da vida dele/a. E daí irá aos poucos se afastar. Cruel? Nada.

A gente pode tentar descobrir - e até descobrir - a fonte de seu (dele/a) sofrimento, e dizer-lhe claramente em que ela (a fonte) consiste e como superá-la. Muito bem, você pode realmente se aproximar para valer da pessoa que ama. Mas nada garante que ele/a vá se comover com isso. Ele/a pode acabar descobrindo que essa fonte de sofrimento é de alguma forma estimulada por você ou por alguém que já os rodeia (a você e a ele/a), e acabar rompendo com tudo. Pode entender que o lugar onde os dois vivem lhe faz mal, e com isso se afastar. Isso não é cruel, insisto, essa pode ser uma conclusão a que seu/sua amada/o pode chegar.

A gente pode passar a se anular para ver como nos aproximarmos e como cumprirmos com as vontades dele/a sem que ele/a perceba claramente, e assim passarmos a comer pelas beiradas, como se fôssemos uma espécie de parasita que se alimenta do ser amado/a. Podemos fazer isso, e muitos fazem isso a vida inteira. Mas nisso seremos o quê, em última instância? Apenas isso, seres que gravitam ao redor de outros. É isso que esses seres querem ter? Seres ao seu redor, dispostos apenas a cumprir suas vontades? Talvez queiram isso, esses seres. Mas se deixarem de querer isso de repente, o que lhes restará? A si mesmos. E aos seres que gravitam? Nada. Isso não é cruel.

Aquele que realmente ama ou que gosta a ponto de ter um caso sério com alguém tende a supervalorizar o ser querido/amado. Nesse sentido, tende a se sujeitar. Não importa muito se a outra pessoa quer ou ama, ela passa a ver ao seu redor uma pessoa disposta a lhe agradar, o tempo todo, e isso, se por um lado satisfaz, por outro desconsidera que uma relação é uma relação, e não um mando. É bonito, claro, nos sujeitarmos a obedecer por amor; mas sem sermos livres para isso, não vale a pena. Pode nos levar, no final, a uma espécie de perdição, e disso sabemos muito bem - só fingimos que não, talvez por comodismo.

Digo-lhes tudo isto porque sempre tendi a obedecer, a cumprir o desejo do outro/a. Mas isso me carcomia, por um lado, e por outro, isso me deixava insatisfeito em saber o que é que realmente seria melhor para mim. Claro, óbvio, que não sei claramente, o tempo todo, o que é melhor para mim - tem gente que sabe mais. Mas uma coisa é colocar-se em dúvida, outra é adaptar-se a uma certeza de outro/a que pode não ser certa e que pode no fundo nos incomodar um pouco. Gosto de andar com roupa amarrotada. Isso passa uma impressão ruim, às vezes. Mas se assumirmos nossos gostos como eles são, ao invés de os gostos dos outros como impossíveis de retrucar, podemos crescer.

Conviver é viver junto. Ser diferente em conjunto, e crescer na diferença.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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