o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Ninguém é obrigado a justificar nada para ninguém

Você me ensinou isso. Com você aprendi que o corpo de alguém é só dele/a, e ainda mais seu coração. E que quando algo acontece não precisamos prestar contas, justificar, pedir desculpas ou coisa que o valha.


10057671-1.jpgPorque em termos de amor ninguém é obrigado a justificar nada para ninguém.

Você não teria como saber, mas minha mania de pedir prestação de contas vem do ramo jurídico, no qual, suprema ironia, não atuo. Pois considerava, antes de você, de tuas decepções e mesmo de minhas conquistas, que justificar era criar o ato emocional perfeito - em analogia com o ato jurídico perfeito. Justificar-se perante o outro, nesse contexto, era para mim fechar as portas da emoção ao entendimento, considerar e sopesar os argumentos em termos de direitos e deveres, e mostrar por que podemos escolher, usando o coração, sem que com isso possamos violentar a razão.

Acontece que a emoção em geral, e o amor em particular, não precisa fechar nada perante ninguém. Pois os amantes, sabemos todos hoje, só precisam prestar contas a si mesmos - nem ao amante em particular -, na medida do desejo e da faculdade de atrair para si e recusar coisas, momentos e vida.

A ausência de justificativas é algo, para alguns, sobremaneira cruel. Simplesmente optar, dando as costas a uns, ou a um, com quem trocávamos mãos agorinha mesmo, por outro, que também pode passar pelo mesmo, pode parecer um ato de capricho. E o é. Mas não um capricho qualquer. Um capricho que diz, é isto que eu quero, e não mais isto de que me afasto, agora.

Ocorre que ao não nos justificarmos não estamos, por isso mesmo, afastando para sempre aqueles com quem amassávamos nossas mãos agorinha há pouco. Ou desprezando aqueles com que nos preocupamos. Ou tratando como ninguém aqueles que nos querem ao seu lado, ou que fazem ou estão dispostos a fazer tudo. Não é isso.

Foi com você que vi que tua aproximação até ele não dizia necessariamente que você não se preocupara por mim e como nunca poucas horas antes, ou que não continuava se preocupando. Dizia ambas as coisas. E mais: tua própria incapacidade de me retrucar, quando eu te cobrava, mostrava uma grande verdade: você, sim, me amava. E me amava mais do que nunca. Mas aquele momento não era meu.

Como não é do outro, seja ele quem for, o momento que viermos a reservar a nós mesmos ou a nós com mais alguém. Como não é do outro a razão que tivemos para escolher isto ou aquilo, ou mesmo a desrazão suficiente para fazê-lo. Tudo o que é nosso não é de mais ninguém. E não há órgão mais convicto disso do que o coração.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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