o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Só uma vida qualquer

A vida é simples. Muitos só complicam.


12380155_10208476995141241_1277531006_n.jpgQuando eu estava no fim de meu curso de jornalismo na USP, um professor meu, o Bernardo Kucinski, hoje célebre por seus romances, me convidou a participar da elaboração do plano de governo do então candidato Lula à presidência da República. Lá estando, eu opinei dizendo que o partido deveria propor medidas para contemplar o pequeno empresário de Comunicações. Fui devidamente achincalhado pela Irma Passoni, que nem sabia que cargo ocupava, e deixaram isso para depois - na verdade, para nunca, por motivos mais do óbvios (vejam a história do Mídia Ninja para terem algum insight a respeito). Isso foi em 1989. Hoje, hoje mesmo, quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016, tive mais uma reunião dos gerentes de Hotspots da Instabridge, start-up sueca que veio para facilitar a vida de quem quer ter sempre à disposição uma conexão wifi. A reunião ou os "resultados" aqui não interessam. Importa que algumas das pessoas mais importantes da pequena empresa sueca estiveram presentes, inclusive o CEO, o sueco Niklas. Por que a conexão com aquela reunião há tanto tempo, para opinar sobre o programa do agora ex-presidente Lula?

A Instabridge é uma empresa pequena. Tem link no LinkedIn e poucos funcionários. Tem como objetivo universalizar os wifis, que tendem a ser cada vez mais privatizados por lojas, empresas e mesmo pelo poder público. Eu acredito na ideia deles, e tive a oportunidade de dizê-lo ao CEO, muito simpático, prestativo e bom ouvinte. Mas confesso-lhes que sempre tive restrições a reuniões desse tipo, em que, ao que parece, é o desempenho profissional o que mais importa, em que as amizades podem parecer forçadas, e em que tudo parece ter de se dar de forma à empresa dominar aquele tempo, que no final das contas deveria ser livre para todos.

Acontece que vi algumas coisas. Primeiro, vi que na primeira reunião com o pessoal dessa pequena empresa - pequena, mas multinacional, como são as coisas hoje... - minhas restrições a esse tipo de ambiente corporativo eram... minhas; e mais, vi que não havia qualquer motivo para elas existirem, digo, minhas restrições. Simplesmente o mundo é assim. Lidamos com pessoas, sempre; essas pessoas estão restritas às suas condilções materiais e psicológicas, sempre; estamos o tempo todo meio que na berlinda, sendo "obrigados" ou "forçados" ou "levados a" darmos feedbacks quanto às nossas expectativas, demandas, resultados, etc. Nada, em maior ou menor grau, diferencia o nosso status face esse tipo de reunião do status de um funcionário de uma pequena empresa, real (ou seja, não virtual), sediada em algum escritório físico ou não.

Aquela moça do PT que, naquela época, reagiu à minha proposta com desdém ou mesmo com agressividade, impedindo os outros de pensarem a respeito, deveria ter, àquela época, alguma razão particular para demonizar o chamado empresário, mesmo de pequeno porte, considerando minha proposta um acinte, quando na verdade eu jamais demonizei ninguém, muito menos um cara ou uma empresa que, no frigir dos ovos, permite o estabelecimento de empregos, cria iniciativas e toca o barco do país para a frente. Claro que, por detrás das máscaras bonitas, muitas empresas tocam o barco contrariamente à opinião da maioria, e muitas vezes criam demandas artificiais, que não existem, somente em nome de sua própria sobrevivência. Mas esses são casos, e casos os há em profusão de todos os tipos.

Saí da reunião meio bêbado, confesso; mas também saí aliviado: gostei do pessoal, e não foi por conversar com o CEO que saí mais atento. Foi por entender que a vida simplesmente é assim.


Contreraman

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