o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Somos paixão

O ser que acorda pensando em alguém, ou que passando os dias lembra desse seu outro ser, tem todo o tempo do mundo a perder. Porque a paixão é perdulária. A paixão não faz contas. A paixão não pondera. Com ela é tudo ou nada.


tumblr_m2buw5yuLW1qiw0q5o1_1280.jpgTocamos nossas vidas como podemos e como podemos imaginá-la, mas no fundo somos apenas paixões. Hamann havia dito isso, Herder o acompanhou e Kant ficou a ver navios tentando compreendê-los e compreender a vida, essa coisa que o pietista tanto queria governar pela temperança e - por que não - por uma certa preguiça.

Pois quem acorda pensando em alguém, vilipendiando-o/a, agradando-o/a, odiando-o/a, não pouca energias em fazer o que quer, sem muito bem saber por quê. Claro que lá no fundo ele/a sabe. Aquele outro ser lhe causa algo. Faz com que sofra, com que se alegre, com que se sinta melhor, sei lá. O ser que acorda pensando em alguém, ou que passando os dias lembra desse seu outro ser, tem todo o tempo do mundo a perder. Porque a paixão é perdulária. A paixão não faz contas. A paixão não pondera. Com ela é tudo ou nada.

De certa forma, o que os remédios antidepressivos ou calmantes fazem é justamente tentar acalmar esse vulcão que de vez em quando toma conta de nós todos, esses seres errantes em busca de problemas, de idas e vindas, de achacamentos, entrosamentos e rompimentos, menos em busca de soluções. O ser humano, esse ser que se apaixona por algo, não quer o fim de sua tortura. Na verdade, ele anseia: quer que ela, a tortura, faça-o/a se perder - sabendo ambos que isso não leva a nada. E que a uma paixão amansada surge sempre outral e outra e outra.

Quando o ser humano nasce, podemos ver: ele quer. E durante toda sua relativamente curta trajetória em vida, ele continua querendo. Ansiando. Esnobando quando consegue. Querendo se matar quando não. Criticando quem o/a avisa de seu destempero. Para ele/a, tá tudo normal. Ruim, péssimo, ótimo, excelente, tanto faz - mas normal. Não há nada de mais normal para o ser humano honesto e saudável do que sentir-se perdido por algo que não sabe o que é. Tanto que quando olha para trás, não vê cadáveres - só rosas deixadas no meio do caminho.


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