o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

A cada qual seu lugar

Postei no LinkedIn um texto em que elogiei o trabalho de um colega de setor e, dentre a mensagem recebida em função dele, recebi também uma espécie de "tudo bem, mas outras pessoas" etc.


luxembourg-palace.jpgEu entendo que todo mundo tem o seu valor. Entendo também que cada um com valor merece seu quinhão de reconhecimento. E esse reconhecimento se dá, pelo que noto, das mais variadas formas. Como empregado, em promoções, maiores salários, etc.

Mas entendo também que para cada um tem o seu lugar e sua estima. Não compreendo quando as pessoas admitem que tal ou qual colega mereça elogios, mas ao mesmo tempo dizem que outras pessoas também mereceriam. Uma coisa não nega a outra.

Há quem venda muito facilmente o próprio valor. E eu mesmo não citei que aquele colega cujo trabalho eu elogiei tem uma mania absurda de superestimar seus poderes e mesmo sua influência. Não citei porque não cabia - mas quem procurar encontrará um post em meus artigos na web em que falo a respeito.

Mal sabe, por exemplo, a pessoa que comentou que eu carrego comigo o exemplo, e de forma diuturna, de vários colegas do mesmo setor que já se despediram - ou seja, faleceram - e sobre os quais fiz artigos em revistas ou mesmo na web.

Por exemplo, do Carlos Marques, diretor da Ameron-Polyplaster, que faleceu devido a um câncer (era fumante inveterado), cujo senso de oportunidade, competência técnica como engenheiro, e vocação empreendedora e comercial me dão alento até hoje - ele começou, acreditem, vendendo as pipas que fazia com material que pegava de forma inacreditável. Sobre este, fiz texto em uma revista.

Por exemplo, também, do Ehrlich Segreto, gerente de projetos da Tecniplas, que faleceu de leucemia repentina, que tinha uma visão política admirável e, como todo pessimista, absolutamente lúcida e por outro lado esperançosa, e que não deixou rastro no mundo, a não ser a lembrança (foi desejo expresso dele, que nem túmulo tem).

Ou, por exemplo, do Batista, diretor da Fibermaq, que começou fazendo clipes de ferro, tinha um senso de humor absurdamente sutil e ao mesmo tempo ferino, e que, apesar de desconfiar do ser humano como poucos, ainda confiava, dando chance de apitar em seu mundo íntimo até a gente de fora como eu.

Nós, que estamos vivos (ainda), e que não sabemos até quando estaremos (ninguém sabe), devemos muito àqueles que já se foram. Mas, enquanto vivemos com as pessoas, precisamos dar atenção aos maiores dentre nós que nos ajudam a nos guiarmos.

O profissional que eu elogiei, por exemplo, demonstra-me seu valor, pelo menos por enquanto, especialmente por ter um problema de aprendizagem congênito que fez com que se superasse acima de todos e, mais ainda, por ter pego uma empresa falimentar e por tê-la tornado a maior do seu setor no Brasil - e uma das maiores no mundo. Não é pouco.

Fato é que, como o Mathias Aires diz em "Reflexões sobre a vaidade dos homens" (que irei resenhar daqui a alguns dias, ou fazer algo para divulgá-lo), a inveja baseia-se na vaidade. Leiam apenas: "Sendo o termo da vida limitado, não tem limite a nossa vaidade; porquedura mais do que nós mesmos, e se introduz nos aparatos últimos da morte".

A cada um, seu lugar, por favor. Há espaço para todos no nada que nos espera.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
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