o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Um jornalismo de farsantes

Sinto falta do Paulo Francis. Sinto falta de jornalismo que faça valer sua importância. Não desse bando de mequetrefes que fazem jus a um palco, apenas.


thomas-saliot-everythingwithatwist-02.jpgO Paulo Francis sempre foi uma referência para mim. E um dos aspectos em que ele ainda permanece - em mim, pelo menos - refere-se à sua implicância com o jornalismo declarativo. Comento isto hoje, sábado, após o depoimento de Lula à Polícia Federal e às várias diatribes sobre o assunto. Eu, de minha parte, comentei pouca coisa a respeito e o caso, em sim, confesso, não me interessa muito. Um dia explicarei por quê.

A convicção do inferno que é, para o jornalismo brasileiro, o jornalismo declarativo vem, creio, desde 1988, quando passei para o Chile, participando de uma caravana pelos direitos humanos e vi como os jornalistas chilenos cobriam o assunto. Fiquei com vergonha. Pois lá não havia nada desse negócio de âncoras simpáticos ou mesmo bonitos, de jornalistas dando o microfone a gente para que dissesse o que "achava", nem nada.

Os jornalistas chilenos, naquela ocasião, eram em sua maioria mulheres bem pouco atraentes fisicamente que iam à goela dos seus entrevistados. Quem sabe tenha sido nesse exato momento que eu decidi não me dedicar mais ao jornalismo no que dissesse respeito ao Chile. Não tinha condições. Eu era uma criança lado a lado com aqueles caras e mulheres.

Mas vejamos os dias de hoje.

Ontem, o Lula foi prestar depoimento à PF. O que fez a imprensa? Repercutiu falas. Ora o que o Lula falou, antes e depois do depoimento. Ou o que disse no sindicato. Ou o que a Dilma disse quanto à forma pela qual ele foi tratado. Depois vaza um vídeo em que o Lula diz outra coisa. Depois virá o Datafolha para dizer o que a população pensou a respeito. Tudo dizeres, aqui e acolá, que não valem absolutamente NADA.

Num país com tradição democrática, como o Chile, importava, em 1988, o que as pessoas diziam porque de alguma forma o futuro com o plebiscito estava em jogo. Mas o que se queria saber, perguntando aos candidatos ou aos especialistas? A verdade. Aqui, num país ainda sem tradição democrática, a imprensa perturba e lota os ambientes para saber o quê? Nada. Sabe-se o que o Lula falou no depoimento? Não. Sabe-se como ele falou? Dizem que foi orientado por seus advogados. E o resto? O resto é nada.

Era contra esse jornalismo declarativo que Francis jogava toda sua empáfia. Jornalismo declarativo não vale nada. Porque sabemos que, se as instituições forem sólidas, de nada adianta falar aqui e acolá nada a mais. Importam - nesse caso - as provas. O que importa é se as instituições forem sólidas no regime democrático. Disso ninguém quer saber. A imprensa, idem. Vai atrás do vento para comprovar sua inutilidade (enquanto age desse jeito).

Sinto falta do Paulo Francis. Sinto falta de jornalismo que faça valer sua importância. Não desse bando de mequetrefes que fazem jus a um palco, apenas.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 2/s/sociedade// //Contreraman
Site Meter