o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

O amor que aprendo em músicas: Michielin e Lazarev

Um suave vôo em preferências musicais sobre amor que me fazem sair do sério. Uma italiana - Francesca Michielin - e um russo - Sergey Lazarev.


Sergey_Lazarev_at_NWJ2015.jpgNos últimos meses, passei por algumas das emoções mais fortes, em termos românticos, em toda minha vida. E aprendi muito.

Mas não irei aqui falar disso. Falarei de dois intérpretes românticos, uma mulher e um homem, uma italiana e outro, russo, que estão fazendo de alguma maneira algo de minha cabeça - e com isso farei algumas ilações sobre romantismo, macheza, femineza (eu sei que a palavra não existe), e amor de forma geral, assim como mostrarei dois momentos em duas músicas deles (dois momentos musicais, mas também visuais) que me fazem sair do sério (no bom sentido).

Antes de mais nada, lhes digo que cheguei a eles por acaso. Ou por indicação do Youtube, o que quer dizer o mesmo. Na primeira, a ótima Francesca Michielin, eu lhes digo que caí por haver entendido que os italianos - e mais especificamente as italianas - tinham algo a me dizer em termos de expressividade romântica, e músicas de amor. Fui e teclei Italien amour, acho, e cheguei até ela. E não me arrependi.

A Francesca, pelo que vi rapidamente com googadas, entrou no jetset internacional cantando em festivais e programas de tv. Seu jeito de menininha não é o que mais me pega, tendo-a visto cantanto inclusive Hallelluyah, do Leonard Cohen. O que me pega é a possibilidade que ela tem de cantar em registros elevadíssimos e miseravelmente pequenos.

Como em Nessun grado di separazione, em que em determinado momento parece nos levar a alturas absurdas de emoção. Vejam aqui, em nessun-grado-di-separazione-official-video-francesca-michielin.jpgNessun grado, em 2´55 a 3´15. Eu choro muito em especial nesse momento, e não entendo nada do que ela diz. Ou quase nada. Mas sinto tudo.

Pois isso me leva a um outro vídeo, sugerido por uma pessoa altamente querida e amada, em que duas dessas lindas italianas (Laura Pausini e Lara Fabian) cantam num festival. Vejam aqui, em vivrenotreamour124369997073_gros.jpgLa Solitudine, e mais especificamente neste momento: 2´40 em diante. Em morro por dentro, pois achei o amor romântico também ali. Achei tarde, como podem ver.

Ainda com a Francesca, outro grau de dramaticidade que suas canções causam, ainda maior no meu caso, está em L'amore esiste, só que aqui no diminuto, no pequeno, no quase inaudível. Pois nessa canção (aqui: francesca-michielin-l-amore-esiste-video-maxw-877.jpgL´amore esiste) a bela e jovem Francesca como que trava uma espécie de catálogo sobre o amor - algo de que não entendo quase nada - para simplesmente terminar: o meu amor é você. Eu morro ao ouvir isso.

Houve uma época, claro, em que eu tinha motivação ao ouvir uma música de amor. E ainda hoje acho o core da Filosofia do Amor entender, em explicações, mesmo heterogêneas, como é que uma música pode se TORNAR alguma coisa específica, uma mensagem, algo que os seres humanos consigam de alguma forma compartilhar. Mas hoje, não; e acredito que tenha sido justamente isso, o aprendizado do amor romântico, que me permitiu dar esse enorme salto. Ao qual agradeço de coração.

Mas aí aparecem os homens. E, tirante os cantores de minha geração ou pouco anterior que demandam sofrimento em suas canções de cornos, tinha muita dificuldade até achar o cara de que eu realmente gostasse, mas não por fazer com que me emocione - esse, ainda não tenho -, mas porque goste, simplesmente. E esse cara tornou-se um russo, o Sergey Lazarev.

Mas é muito estranho para mim falar isso, porque o Sergey é apenas um rapazola bem formado, bem fornido, musculoso e que sabe dançar. Tentei entender o fascínio que ele me exerce por algo que um simples "carisma" poderia explicar, mas não me convenceu. O Lazarev convence-me por ser, simples e puramente, homem. Com todos os atributos, adequados ou não à época andrógina atual, que isso possa carregar. E, sendo homem, por ter carisma.

Vejam-no em sergey-lazarev-you-are-the-only-one-eurovision-2016-rusya_9222716-34170_1920x1080.jpgYou are the only one, por exemplo. Claro, esse blockbuster é apenas um exemplo disso mesmo, e não traz, nem de longe, nenhuma mensagem levemente incômoda. É o romantismo pura e simples, piegas, com mensagens descaradamente retiradas de outros exemplos de bem melhor gosto (Every breath you take), e repleto de lugares comuns. Mas Lazarev aprendeu com o tempo. E seu carisma está nos trejeitos que levemente faz, nas indicações de "olha eu aqui", claramente identificáveis, e até mesmo em se negar a beijar a garota, no fim (reparem bem quando eles se aproximam). É um cara e tanto.

Pois é isso o que eu especificamente quero num cantor. Carisma. Controle. Perfeição técnica e alegria. Não quero ninguém dando uma de sofredor - como às vezes eu mesmo cometo -, nem dor de corno. Quero um sujeito para cima, como, aliás, eu mesmo sou na realidade. E como ELAS querem.

Já comento como ele canta.

Com respeito ao alto astral, reparem também, por exemplo, em como ele comanda uma plateia absurdamente fria na Rússia, cantando um hit daquelas paragens, em img_2677-001-610x350.jpgCanção em russo. Reparem como ele brinca com a câmera e tira sarro da posição de uma assistente (reparem na moça de vermelho) ter sido mulher dele. Gosto disso, até pela própria capacidade de não se deixar levar pela frieza de tudo o que rodeava sua trupe - isso sem contar que ele não desafina.

Agora, sobre como ele canta, um aspecto que o aproxima da italianinha Francesca é seu vocal sobrepujando o coro no final de You are my only one, em 2´45 exatos, que ele também comete em suas apresentações ao vivo, como em You are my only one AO VIVO. Dane-se o caráter brega de tudo, as luzes, as chamas, os efeitos gráficos, dane-se tudo, eu adoro. E é isso que me atrai por demais no caráter masculino de se cantar o amor - uma possibilidade, sempre, como é absolutamente claro para quem conhece ALGO da vida REAL.

* * *

Excurso pessoal

Hoje eu falei com a moça-menina-MULHER que tanto, sem querer, e por querer, e com coragem, e com bastante crueldade, TANTO me ensinou. Seus gostos são algo diferentes (hoje terminamos com ela ouvindo Victor & Léo). Mas tanto lhe agradeço que mal sabe, mas um dia descobrirá. Sempre estarei ao seu lado. Com muito amor, tendo-a ou não, porque a vida é assim - imperscrutável.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 1/s/musica// @obvious, @obvioushp //Contreraman