o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

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Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

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Vale o que tem amor.

VnV Nation e por que estamos mais perto

Tomei contato com o VnV Nation há alguns meses, ao conhecer uma garota que veio a se tornar uma espécie de "caso" em minha vida. A garota em questão era - e ainda é, pelo que sei - fã de EBM Industrial, um gênero musical que surgiu na década de 90, na Europa, e que aqui fez algum barulho (pouco).
O VnV Nation é uma banda de dois caras que não têm mesmo cara de músicos ou rockstars. A sigla ou acrônimo refere-se a "Victory, Not Vengeance", e o Nation, não me recordo o que significa em relação com o acrônimo.


VNV Nation 3.jpgVivemos uma época em que tudo parece mais perto, mas ao mesmo tempo em que nós parecemos mais distantes de nós mesmos. Essa sensação se deve a que temos tudo mais a nosso alcance do que no passado, por um lado, mas também a que os acontecimentos nos parecem estranhos, avassaladores, totalmente fora de nosso controle. Não parecemos à vontade com nossas opiniões, que qualquer um pode literalmente amassar com um fato mais recente, uma estatísticas à mão de todos, um estudo a alicerçar uma opinião muito mais balizada que a nossa.

Nesta época, parece difícil ter uma opinião original, e ainda mais difícil fazer com que essa opinião seja ouvida, sentida, refletida. Na música, então, quase impossível. Como não recair no romantismo mais piegas, sem nada a dizer, ou no niilismo mais acabrunhante, que em última instância causaria vergonha a qualquer calouro de Filosofia?

Tomei contato com o VnV Nation há alguns meses, ao conhecer uma garota que veio a se tornar uma espécie de "caso" em minha vida. A garota em questão era - e ainda é, pelo que sei - fã de EBM Industrial, um gênero musical que surgiu na década de 90, na Europa, e que aqui fez algum barulho (pouco). O VnV Nation é uma banda de dois caras que não têm mesmo cara de músicos ou rockstars. A sigla ou acrônimo refere-se a "Victory, Not Vengeance", e o Nation, não me recordo o que significa em relação com o acrônimo.

Quando me envolvia com a garota, percebia que esses caras, embora não em todas suas músicas, tinham algo a dizer para mim. Havia algo de esperançoso e ao mesmo tempo melancólico em suas melodias, e na forma como colocavam os teclados - ou como estes se expressavam (porque, em minha singela opinião, os teclados não pareciam instrumentos, mas "se expressavam").

O aspecto melancólico das músicas não era, na ocasião, o que mais me atraía no trabalho da dupla. Mas o caráter dançante e de certa forma agressivo como eles lidavam com o passado e sentimentos como gratidão. Como aqui, em Gratitudehqdefault1.jpg.

Lembro-me como se tivesse acontecido ontem do olhar de surpresa e êxtase daquela garota, em cujo apartamento eu me encontrava com sua melhor amiga, ao notar-lhe (a ela) como EU SENTIA uma mensagem em meras mudanças de tom das notas, bem ao começo daquela música. Pois eu preciso admitir: tão somente uma mudança de tom para mim revela TUDO nela. Ocorre que, como não sou formado em música, não sei exatamente como lhes (a vocês) dizer, tecnicamente, em que medida isso ocorre. Mas ocorre em 0'18 e em seguida.

Para mim, na época e agora, essa mudança repentina das notas leva-me ao universo de um Kandinski, que VIA as emoções nas cores, e que fez diversos livros defendendo isso, assim como significados ocultos nas formas, na sua disposição nas telas, e tudo o mais. Quase bruxaria, em suma. Algo de outro mundo. E lhes digo: só por isso, só por isso mesmo, não abandono de vez o estudo das artes plásticas não figurativas. Só por isso. Porque algo parece haver ali.

Ocorre que eu não sei até hoje se me apaixonei por aquela garota. Eu queria algo, sempre quis. E não queria apenas sexo. Mas não conseguimos nos dar bem o suficiente - ou suportar nossos humores, um do outro. E com o tempo tudo foi acabando. Mas meu afã de achar que com o VnV Nation eu poderia me e lhe dizer alguma coisa continuava. E foi assim por exemplo que aconteceu com Belovedmaxresdefault-1xx.jpg, aqui num vídeo que não sei se foi autorizado pela banda.

Eu sempre me emociono ao ouvir essa música. Mas, mais ainda, ponho-me a refletir quanto a como ela poderia aparecer, de um jeito sobejamente adequado e respectivo, no palco. Já pensei em colocá-la no fim de uma peça minha - sou dramaturgo, ator e diretor -, com amigos dançando, cada um do seu jeito - porque embora eu goste de dança coreografada considero-a em geral um grande pé no saco.

Eu mal consigo também simplesmente ver e tentar decifrar a animação que lhe faz bastante jus neste vídeo. Porque eu me emociono só com a música, e mal consigo entrar na letra, inclusive. Para mim, essa música parece avançar para além do meramente romântico e incluir o mundo todo, num amor infinito que abarca todo o Globo terrestre. Quantas vezes me imaginei tocando no teclado e entrando em êxtase, uma verdadeira catarse, em sua exibição aos meus amigos - o mundo. Seria uma bela morte, inclusive.

Mas termino lhes contando uma coisa que acabo de perceber. Tenho um grupo, que se chamava Garotas do Contrera (contrariamente a minha vontade), passou a It e agora é InT. Por que isso? Porque considero que se há algo sobre o que temos que falar é sobre o interno, o que dificulta nossa (de todos) conexão. Porque só assim poderemos tentar desvelar os sonhos do mundo.

Mas e não é que o VnV também colocou o n no meio em minúsculo? Caralho!


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