o olhar amor na arte após o fim da arte e da filosofia

Veja ao seu redor - a saída existe e está em tudo e em todos nós

Contreraman

Antes:
E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem.

Depois:
Vale o que tem amor.

Amar é sempre bom, mesmo quando dói; mas se dói demais pode não ser bom

Confesso. Esta é quase uma pegadinha. Mas é preciso admitir: a quem sabe do que falo, não é apenas um jogo de palavras ou linguístico. É uma verdade. E uma das mais relevantes.


anythingelse-ricci.jpgSempre serão infinitas as formas pelas quais um casal se torna casal; mas quando isso acontece a mistura de prazer e dor resultante do convívio é quase sempre absurda. Porque dor não é apenas brigar, é sentir o prazer de sentir dor - e isso às vezes ou muitas vezes é péssimo.

Não quero dizer com isto que amar é sempre doloroso. Muitas vezes não é. Nem que amar, cedo ou tarde, signifique conviver com certo tipo de dor. Quero dizer, ao contrário, que quando duas pessoas se juntam são dois continentes que batem, dois mundos que se chocam, e duas almas que se pegam.

Mariel-Hemingway-Woody-Allen-Manhattan-040915.jpg

Claro, sempre existem aqueles que falam sobre ceder e não ceder, que isso é um jogo em que as pessoas entram e que às vezes funciona, e outras vezes não. Que tudo seria como que um jogo de vasos comunicantes, em que uma coisa afeta a outra, e uma compensação requereria outra, e em que há coisas que acabam permanecendo ali, intocáveis, até que algum ceda e o outro não.

Ocorre que, seja como for, existe dor e prazer envolvido em tudo o que envolve um casal que se ama. Nunca tudo é prazer, assim como nunca tudo é dor. A mistureba dos fatores, contudo, faz com que a impressão geral às vezes não seja, com o passar do tempo, tão boa quanto antes; o que faz com que aos poucos a sensação de desagrado prevaleça, e com que amar, que é sempre bom, deixe de repente de sê-lo, por tornar-se péssimo.

manhattan.jpg

É assim que amar, que é sempre bom, mesmo quando é péssimo, pode deixar de ser bom. Surgem então novos conflitos, ou motivos que antes não geravam conflitos agora passam a gerar, ou momentos que não geravam conflitos agora não cansam-se de gerá-los.

A gente reconhece imediatamente. Aquele hábito nele que ela sempre aturou e que agora, olhando bem pragmaticamente, praticamente causou a separação. Aquele jeito de falar que ela sempre teve que de repente o desagrada, e que pode causar até uma briga repentina.

redeye-penelope-cruz-interview-to-rome-with-lo-001.jpg

Mas as pessoas, claro, são sempre diferentes uma da outra, e evoluem com o tempo, e se tornam mais ou menos tolerantes, mais ou menos atentas.

E aqueles jovens que passavam brigando em meio ao amor que nutriam entre si de repente se tornam ranzinzas e não toleram mais todo aquele barraco.

1982y6ykfjextjpg.jpg

Ou aqueles mesmos jovens que se entendiam perfeitamente, com a idade tornam-se mais atentos à passagem do tempo e menos tolerantes com questões que agora parecem mais prementes do que nunca.

Ou aqueles jovens revolucionários que conviviam com traições e puxadas de tapete de repente se cansam e passam a querer manter um convívio mais tradicional, sem tanta energia que (como diziam) era simplesmente jogada fora.

To-Rome-with-Love-film-images-7c600e6a-2003-4eb5-9337-6071c17b340.jpg

Há quem goste de amar por tentar captar para si apenas o que há de bom (o prazer). Outros parecem ter uma compulsão hereditária ou genética a sofrer, enquanto amam.

A mistureba está sempre presente. E às vezes promove o entendimento; e outras, não.

woody-allen-film-love-and-death_3_best-film-quotes_top10films.jpg

Todas as fotos são de filmes do Woody Allen.


Contreraman

Antes: E as coisas que continuam já se foram. E as que se foram continuam para nunca terminarem. Até um fim que nunca vem. Depois: Vale o que tem amor..
Saiba como escrever na obvious.
version 6/s/recortes// //Contreraman